sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

DE COPENHAGEN A YASUNÍ

A reunião de Copenhague não será totalmente em vão porque a sua preparação permitiu que se conhecessem melhor iniciativas reveladoras de uma nova consciência ambiental global e de outras possibilidades de inovação política. Uma das propostas mais ousadas é a Iniciativa ITT do Equador.

*Boaventura de Sousa Santos



Como já se previra, a próxima Conferência da ONU sobre a Mudança Climática, que ocorrerá em Copenhague, de 7 a 18 de dezembro, será um fracasso que os políticos irão tentar disfarçar com recurso a vários códigos semânticos como “acordo político”, “passo importante na direção certa”. O fracasso reside em que, ao contrário dos compromissos assumidos nas reuniões anteriores, não serão adotadas em Copenhague metas legalmente obrigatórias para a redução das emissões dos gases responsáveis pelo aquecimento global cujos perigos para a sobrevivência do planeta estão hoje suficientemente demonstrados para que o princípio da precaução deva ser acionado.

A decisão foi tomada durante a recente Cúpula da Cooperação Ásia-Pacífico e, mais uma vez, quem a ditou foi a política interna dos EUA: a braços com a reforma do sistema de saúde, o presidente Obama não quer assumir compromissos à margem do Congresso norte-americano e não pode ou não quer mobilizar este último para uma decisão que envolva medidas hostis ao forte lobby do setor das energias não renováveis.
Os cidadãos do mundo continuarão pois a assistir ao espectáculo confrangedor de políticos irresponsáveis e de interesses económicos demasiado poderosos para se submeterem ao controle democrático e assim ficarão até se convencerem de que está nas suas mãos construir formas democráticas mais fortes capazes de impedir a irresponsabilidade dos políticos e o despotismo econômico.

Mas a reunião de Copenhague não será totalmente em vão porque a sua preparação permitiu que se conhecessem melhor movimentos e iniciativas, por parte de organizações sociais e por parte de estados, reveladores de uma nova consciência ambiental global e de outras possibilidades de inovação política.
Uma das propostas mais audaciosas e inovadoras é a Iniciativa ITT do Equador apresentada, pela primeira vez, em 2007 pelo então Ministro da Energia e Minas, o grande intelectual-ativista Alberto Acosta, mais tarde Presidente da Assembleia Constituinte.

Trata-se de um exercício de co-responsabilização internacional que aponta para uma nova relação entre países mais desenvolvidos e países menos desenvolvidos e para um novo modelo de desenvolvimento, o modelo pós-petrolífero. O Equador é um país pobre apesar de (ou por causa de) ser rico em petróleo e a sua economia depender fortemente da exportação de petróleo: o rendimento petrolífero constitui 22% do PIB e 63% das exportações.
A destruição humana e ambiental causada por este modelo econômico na Amazônia é verdadeiramente chocante. Em consequência direta da exploração do petróleo por parte da Texaco (mais tarde, Chevron), entre 1960 e 1990, desapareceram por inteiro dois povos amazônicos, os Tetetes e os Sansahauris.

A iniciativa equatoriana visa romper com este passado e consiste no seguinte. O estado equatoriano compromete-se a deixar no subsolo reservas de petróleo calculadas em 850 milhões de barris existentes em três blocos — Ishpingo, Tambococha e Tipuyini (daí, o acrônimo da inciativa) — do Parque Nacional Amazónico Yasuní, se os países mais desenvolvidos compensarem o Equador em metade dos rendimentos que deixará de ter em resultado dessa decisão.
O cálculo é que a exploração gerará, ao longo de 13 anos, um rendimento de 4 a 5 bilhões de euros e emitirá para a atmosfera 410 milhões de toneladas de CO2.
Tal não ocorrerá se o Equador for compensado em cerca de 2 biliões de euros mediante um duplo compromisso.
Esse dinheiro é destinado a investimentos ambientalmente corretos: em energias renováveis, reflorestação, etc.; o dinheiro é recebido sob a forma de certificados de garantia, um crédito que os países “doadores” receberão de volta e com juros caso o Equador venha a explorar o petróleo, uma hipótese pouco provável dada a dupla perda para o país (perda do dinheiro recebido e a ausência de rendimentos do petróleo durante vários anos, entre a decisão de explorar e a primeira exportação).

Ao contrário do Protocolo de Kyoto, esta proposta não visa criar um mercado de carbono; visa evitar que ele seja emitido. Não se limita, pois, a apelar à diversificação das fontes energéticas; sugere a necessidade de reduzir a procura de energia, quaisquer que sejam as suas fontes, o que implica uma mudança de estilo de vida que será sobretudo exigente nos países mais desenvolvidos. Para ser eficaz, a proposta deverá ser parte de um outro modelo de desenvolvimento e ser adotada por outros países produtores de petróleo.
Aliás, a sustentar esta proposta equatoriana está a nova Constituição do Equador, uma das mais progressistas do mundo, que, a partir das cosmovisões e práticas indígenas do que designam como “viver bem” (Sumak Kawsay) — assentes numa relação harmoniosa entre seres humanos e não-humanos, incluindo o que na cultura ocidental se designa por natureza — propõe uma concepção nova e revolucionária de desenvolvimento centrada nos direitos da natureza.

Esta concepção deve ser interpretada como uma contribuição indígena para o mundo inteiro, pois ganha adeptos em setores cada vez mais vastos de cidadãos e movimentos à medida que se vai tornando evidente que a degradação ambiental e a depredação dos recursos naturais, além de insustentáveis e socialmente injustas, conduzem ao suicídio coletivo.
Uma utopia? A verdade é que a Alemanha já se comprometeu a entregar ao Equador 50 milhões de euros por ano durante os 13 anos em que petróleo seria explorado. Um bom começo.
*Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).
cartamaior.com.br

VÍDEO COM AS MANIFESTAÇÕES DO DIA 16 EM COPENHAGEN

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

FOME E AQUECIMENTO DO PLANETA

Por Sérgio Barbosa de Almeida*

No momento em que se discute em Copenhague como reorganizar as atividades humanas, que aceleram as mudanças climáticas em escala planetária e colocam em risco a vida de boa parte dos habitantes da Terra, não há como manter em segundo plano a questão da fome, que voltou a se alastrar no mundo a partir de 2005.

A solução desse obsceno problema está intimamente ligada às mudanças climáticas. A reunião de cúpula convocada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura – FAO, em meados de novembro, em Roma, mereceu pouca atenção dos países ricos, cujos chefes de Estado se abstiveram de participar, à exceção do da Itália, país anfitrião do encontro.

Mas qual é o tamanho do problema? Em 2009, a FAO estima em mais de um bilhão o número de pessoas subalimentadas, ou seja, um em cada seis habitantes do planeta. A Ásia contribui com 640 milhões de “famintos”, a África e Oriente Médio com 310 milhões, a América Latina com 53 milhões e, pasmem, os países ricos com 15 milhões. Atualmente, a cada seis segundos uma criança morre de fome no mundo e as perspectivas de curto prazo são assustadoras.

Segundo Olivier de Schutter, Relator da FAO para o direito à alimentação, “todas as condições para uma nova crise alimentar (sic) nos próximos dois anos estão reunidas; não se trata de saber se ela ocorrerá, mas sim quando” (Fonte: Le Monde, 16/11/2009). Apesar da afirmação do Relator, a fraqueza política da FAO pode ser constatada ao se verificar que as projeções de redução da fome, pactuadas entre os países membros, são sucessivamente revistas para pior: em 1991, foi estabelecida a meta de se reduzir à metade, até 2015, o número de 840 milhões de subnutridos.

Em 2005, a meta para 2015 foi elevada de 420 para 750 milhões, mas não ocorreu uma redução dos subnutridos e sim seu crescimento para um bilhão de pessoas (Ver figura abaixo, publicada no jornal conservador Le Figaro, de 16/11/2009). Além disso, o encontro de Roma encerrou-se sem que os países ricos assumissem compromissos com as demandas de Jacques Diouf, Secretário-Geral da FAO há 15 anos, seja em termos dos aportes financeiros solicitados seja em relação à proposta de “Fome zero”, primeiro dos Objetivos do Milênio, estabelecidos em 2000.

Ironicamente, convivemos também com meio a um bilhão de pessoas afetadas por problemas de saúde decorrentes do excesso ou da inadequação alimentar, muitas delas pobres, com acesso apenas a alimentos que “matam” a fome, mas que não nutrem suficientemente e provocam problemas de obesidade e outras doenças.

Gráfico 1 - Fome e aquecimento global



Durante o encontro da FAO, a Via Campesina e outras organizações sociais realizaram um evento paralelo, no qual intensificaram a defesa do conceito de “Soberania alimentar”, em contraposição ao de “Segurança alimentar”, divergência que transcende a questão semântica. Na prática, a “segurança alimentar” como entendida pelos governos representados na FAO baseia-se na disponibilização de novos recursos financeiros para a intensificação da chamada “Revolução Verde”, cujos fundamentos são o desenvolvimento intensivo de monoculturas em grandes áreas de terra – compreendendo a irrigação e o uso de adubos químicos –, o uso de sementes selecionadas, que rapidamente confundiu-se com o de sementes geneticamente modificadas, combinado com o de agrotóxicos, produzidos e controlados por um número reduzido de empresas.

Por seu turno, a proposta de “soberania alimentar” reafirmada por organizações que congregam pequenos agricultores, trabalhadores rurais sem terra, povos das florestas e pescadores artesanais, dentre outros grupos, baseia-se no “direito humano fundamental de todos os povos, nações e Estados definirem seus próprios sistemas e políticas de produção alimentar”, de forma a assegurar o acesso a todos a uma alimentação adequada e saudável, que respeite a diversidade cultural dos povos, aí incluídos os saberes e hábitos tradicionais, alimentares e lingüísticos. As organizações presentes ao encontro paralelo redigiram o documento “Políticas e ações para erradicar a fome e a subnutrição”, disponível no site www.eradicatehunger.org em espanhol, francês e inglês, que apresenta de forma meticulosa e abrangente as engrenagens do sistema dominante de oferta de alimentos, bem como as alternativas para superação do problema da fome no planeta. No documento são abordadas: a) as deficiências e limitações do processo dominante de suprimento alimentar da população mundial; b) a visão conceitual de soberania alimentar; c) as formas de acesso a uma agricultura em bases sustentáveis; d) a relação entre meio ambiente, mudanças climáticas e agro combustíveis; e) a relação entre mercados, políticas de preços e subsídios agrícolas; f) o papel dos Estados e instituições internacionais.

O outono da Revolução Verde

Até o início do século XXI, a Revolução Verde foi enaltecida como responsável pela transformação da Índia de país fortemente dependente da importação de alimentos para a de nação recordista mundial na produção e exportação de arroz, trigo e outros alimentos, ainda que com milhões de indianos subnutridos. O tempo mostrou que as técnicas empregadas funcionam como verdadeiro dopping das terras aráveis indianas, que pouco a pouco perdem sua fertilidade.

Se, no primeiro momento, os agrotóxicos funcionam como defensivos contra algumas pragas agrícolas, ao longo do tempo proporcionam o fortalecimento destas, o surgimento de novas pragas, a destruição de microorganismos, parte da flora e da fauna responsáveis pela fertilização natural do solo, além de afetarem os insetos polinizadores que contribuem para a produtividade das lavouras. Assim, torna-se necessário o uso crescente de adubos químicos para compensar a queda de produtividade, com conseqüente elevação dos custos de produção. Por seu turno, a irrigação intensiva teve o duplo efeito colateral de abaixar significativamente o nível do lençol d’água subterrâneo e de salinizar as terras. Simultaneamente, a utilização de “sementes selecionadas”, controladas por poucas empresas, vem produzindo uma redução na diversidade de culturas e da própria biodiversidade ambiental.

Em conseqüência, inúmeros agricultores indianos encontram-se incapazes de honrar os compromissos com os bancos que financiaram a “modernização” da atividade agrícola que desenvolviam. Alguns vendem suas terras, cuja propriedade vem se concentrando de forma acentuada, e outros optam pelo suicídio, cujo número cresce entre pequenos agricultores, em tendência oposta à dos índices nacionais.

O sistema de suprimento de alimentos dominante no mundo tem se mostrado também um poderoso combustível para o aquecimento global. Estima-se que um terço dos gases de efeito estufa se origine da agricultura e da pecuária, basicamente em decorrência do uso intensivo de adubos químicos derivados de petróleo, à expansão da indústria de carne e à destruição da cobertura vegetal para produção de mercadorias agrícolas, transportadas a distâncias crescentes: é fácil comprar arroz indiano em um supermercado brasileiro, assim como limão mexicano em uma cidade do interior da França.

Beneficiários do sistema internacional de alimentação

É o caso de perguntar: a quem interessa um sistema produtivo que deixa um bilhão de pessoas em penúria alimentar e que contribui para o aquecimento global? Bem, as nove grandes empresas transnacionais do setor de alimentos multiplicaram seus lucros no período em que se agravou a crise alimentar. Entre 2006 a 2008, a Monsanto, a Cargill, a Syngenta e a Bayer triplicaram seus ganhos. A Potash Corporation, maior empresa de fertilizantes do mundo, faturou US$ 5 bilhões em 2008, contra “apenas” US$ 1 bilhão em 2006! (Fonte: Via Campesina: “Agricultura sustentável em pequena escala está resfriando a Terra”, tradução direta de “Small scale sustainable farmers are cooling down the Earth”)

Gráfico 2 - Fome e aquecimento global



Há outros apostadores no jogo da fome. No encontro paralelo de Roma, as organizações de trabalhadores centraram esforços em denunciar a política que vem sendo adotada por diversos países do mundo, cuja produção agrícola é insuficiente para alimentar os respectivos povos, e que estão alugando ou adquirindo terras agrícolas em países pobres da Ásia, África e América do Sul. Os principais “compradores” são Arábia Saudita, Coréia do Sul, Índia, Japão e China. Os principais países cujas terras estão sendo utilizadas para produção e exportação de alimentos são Sudão, Indonésia, Uganda, Filipinas e Argentina, nações onde expressivos contingentes populacionais têm dificuldades alimentares. Por conta do retorno dessa forma colonial de produção agrícola (ou de globalização do latifúndio), empresas e bancos dos países ricos – tais como Goldman Sachs nos EUA, Louis Dreyfuss na Holanda e Deutschbank na Alemanha – produzem relatórios sobre oportunidades e riscos de investimentos e facilitam a compra de terras agricultáveis. Em outras palavras, quanto maior a necessidade de alimentos, mais rentáveis serão os investimentos na aquisição de terras. É razoável esperar a reação dos povos dos países cujos territórios estão sendo cedidos, inclusive em cortes internacionais. Não por acaso, a Arábia Saudita, um dos países líderes no uso de terras estrangeiras para produção de alimentos, “generosamente” bancou o custo total de US$ 2,5 milhões para realização da Conferência da FAO em 2009.

Comércio internacional de terras agrícolas
Brasil desperdiça alimentos




No Brasil, em que pese a aplicação do Programa Fome Zero e outras iniciativas da sociedade, ainda são contabilizados 14 milhões de subalimentados. Um dos caminhos a ser percorrido para superação do problema é a redução do elevado índice de desperdício de alimentos no País.

De acordo com estudos da Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, publicados na revista Desafios, set/out 2009, do total de desperdício no país, 10% ocorrem durante a colheita; 50% no manuseio e transporte dos alimentos; 30% nas centrais de abastecimento; e os últimos 10% ficam diluídos entre supermercados e consumidores.
Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE estima que 67% das cargas brasileiras sejam deslocadas pelo modal rodoviário, o menos vantajoso para longas distâncias. O deslocamento do centro de gravidade das áreas de produção de grãos das regiões Sul e Sudeste para a Centro-Oeste, conjugado com as péssimas condições das rodovias brasileiras, faz com que o custo de transporte de uma saca de soja de Mato Grosso até o porto exportador se aproxime de 50% do valor do grão. Pesquisa da Companhia Nacional de Abastecimento – Conab para as safras entre 1996 e 2002 estima a perdas de grãos em cerca de 10% da produção, o que correspondia a 9,8 milhões de toneladas. O desperdício é agravado por deficiência de estruturas de armazenamento e refrigeração de produtos perecíveis, em um país de clima tropical.

Assim, apesar da redução do desperdício ser uma solução de curto prazo para ampliação da oferta de alimentos no Brasil, o governo dispõe de apenas R$ 500 mil em 2010 para realização de estudos que apontem de forma pormenorizada razões e alternativas para combatê-lo.

*Sérgio Barbosa de Almeida é engenheiro. Foi presidente do Sindicato dos Engenheiros do estado do Rio de Janeiro.


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

NOSSA OPINIÃO

À medida que a Conferência do Clima, patrocinada pelas Nações Unidas, que na sua 15ª versão teve por sede a cidade de Copenhagen, capital da Dinamarca, chega a seu fim, um sentimento vai tomando conta da imprensa especializada e dos meios acadêmicos e científicos mundial: frustração.

 Os que apostaram no fracasso da Conferência, parece que acertaram.



O primeiro desaponto partiu da constatação de que, o que fora acordado em Kyoto (COP3, 1992) pouco de efetivo foi implementado, o que por si só, já justificaria um enfoque mais conclusivo dos países participantes na atual  Conferência.



O segundo e mais importante reparo a ser feito é o despreparo do país-séde, a Dinamarca, pequeno enclave nórdico com apenas seis milhões de habitantes, com uma estrutura muito aquém da necessária, que usou e abusou do desmedido e desnecessário uso da força policial para combater pacíficos manifestantes.

Note-se a coisa foi tão despropositada, que a polícia dinamarquesa prendeu e deportou manifestantes, só porque estavam fantasiados de bichos, isto por que as leis locais não permitem o uso de máscaras nas ruas, coisa que quase nenhum país do mundo o faz.


Alardeou-se como se fosse coisa de país desenvolvido,que a segurança foi reforçada de tal forma, requisitando-se policiais de todos os recantos do país. Estariam mobilizados em Copenhagen, dois terços do total do  efetivo de segurança para reprimir pacíficos manifestantes que estavam ali para exigir dos chefes de Estado mais respeito à vida no planeta. 




“Cop” na gíria americana significa policial. Daí viria COP 15? é o que parece.




Quanto à Conferência em si, esta virou uma disputa entre países ricos e os em desenvolvimento. Ambos pelejando entre si, os últimos esmolando recursos e os primeiros negando e ambos não chegando a parte alguma.

Dificilmente poderia haver  um consenso em uma reunião dessa magnitude com esse simulacro de organização.

Resta ainda perguntar: porque os chefes de Estado devem ir á Conferência  para assinar um eventual protocolo, pois a maioria dos países depende do Legislativo para a aprovação de acordos e tratados internacionais? Tarefa desnecessária e dispensável.



Conclui-se disto tudo que o formato utilizado pela ONU para a realização de uma conferência que tem por fim, equacionar e viabilizar soluções para o planeta Terra, não pode ser o de produzir uma nova Torre de Babel com mil e tantos participantes reunidos em um recinto, falando apenas a língua do interesse próprio.
Uma reformulação é necessária inclusive para dar efetividade ao documento  que ao final será formalizado.

A não ser que a finalidade de tais encontros seja apenas simbólica, para chamar a atenção para um problema, que os participantes sabem que não tem o poder de resolver. Não deve ser por aí.




Assunto tão sério deveria ser tratado de maneira mais séria. Deveria se pensar, por exemplo, em dividir-se o evento em cinco grupos, um em cada continente, que levariam as conclusões finais a uma cimeira com poderes decisórios,  que deveria contar com um número mínimo de participantes.

Se não se fizer algo neste sentido, tornaremos a ver reuniões que tem por fim solucionar a séria questão climática, surtirem efeito contrário, nada decidindo e só colaborando para a ampliação do passivo ambiental. Nada resolvendo e até agravando a situação que já é por demais crítica




À redação



PARÁ - BIÓLOGO É ASSASSINADO

Biólogo assassinado tinha doado coleção de
 insetos para o Museu Goeldi



Um biólogo francês que defendia a preservação da Amazônia morreu nesta segunda-feira (14) em decorrência de agressões sofridas em sua casa, em Santo Antônio do Tauá (a 65 km de Belém, PA). Pierre Edward Jauffret, 72, havia sofrido traumatismo craniano há 15 dias, provocado por golpes na cabeça.
"Ele já tinha denunciado irregularidades na reserva ambiental e tinha até sido ameaçado de morte três dias antes. Não temos certeza, mas esse fato pode ter relação com o espancamento", contou o filho.
Amazônia Jornal, 16.12.2009
O biólogo francês Pierre Edward Jauffret, 72, que morreu anteontem em decorrência de agressões sofridas na casa dele, em Santo Antônio do Tauá, manteve intenso intercâmbio científico e parceria com pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém. Além da troca de conhecimentos, experiências e apoio aos pesquisadores com quem se relacionou durante muitos anos até antes de ser covardemente agredido e falecer, segundo o pesquisador Inocêncio Gorayeb, o biólogo doou para o Museu Goeldi toda a sua importante coleção de insetos.
A coleção tem espécies raras, como uma borboleta que teve destaque no trabalho de pequisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), citada na Revista Brasileira de Entomologia pelos pesquisadores Olaf H. H. Mielke e Mirna M. Casagrande. Os exemplares dessa espécie de borboleta foram seis machos e quatro fêmeas, com exemplares doados também ao Departamento de Zoologia da UFPR.
O biólogo se mudou muito jovem da França para o Brasil. Como pesquisador autônomo, comprou terras em Santo Antônio do Tauá, onde por mais de 40 anos manteve toda a área conservada para pesquisas, enfrentando muitas vezes sozinho conflitos contra a derrubada da floresta e a invasão de uma das poucas áreas conservadas em toda a região Nordeste do Pará.

Jauffret fez uma excelente coleção de insetos da área. Alguns foram levados por pesquisadores para estudos mais aprofundados fora do Brasil e foram descritos e citados em importantes publicações científicas. 'Pierre Jauffret sempre permitiu a entrada de pessoas na área da reserva para estudar, fazer coleta de material, desde que de forma científica, e para pesquisar.




terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O INCRA E SUAS SANDICES

Pe. Edilberto



Em vez de reforma agrária de verdade em terras improdutivas (dizem os entendidos que só no município de Santarém há cerca de 500 mil hectares de terras agricultáveis), o INCRA faz assentamentos em terras públicas e de florestas. Em vez de titulação de propriedades aos produtores tradicionais, que habitam a terra desde seus ancestrais, declara essas terras de assentamentos de reforma agrária.



E depois chega e oferece financiamentos desconexos, uma hora só para construção de casas, outra hora só para fomento à produção, pulverizando recursos aqui e acolá, mantendo os pequenos produtores a reboque dos dinheirinhos anunciados.



Agora chega mais uma lingüiça pendurada em cordão. A nova proposta é: 2 mil e quatrocentos reais, para cada assentado que plantar árvores e
cuidar delas por dois anos em terras por ele mesmo deflorestada em seus 20% permitidos, ou se tiver avançado além dos limites da reserva legal. Ele receberá esse estímulo com 100 reais mensais por 24 meses.



A proposta não está bem clara. Não diz quantas árvores o assentado deve plantar para usufruir a compensação, também não diz que tipo de árvores deve plantar, se goiabeira, se mangueira, se ipê, ou Cedro. A notícia não explica também como o INCRA vai fiscalizar esse movimento ecológico. Suponha-se que 2.000 assentados decidam aceitar a proposta, quantos fiscais estarão disponíveis para mensalmente verificar se as plantadas estão sendo bem cuidadas?



O curioso desta proposta do INCRA, que parece estar dentro daquele grandiosos plano governamental de plantar um bilhão de árvores em
cinco anos, é que essa atraente oferta chega agora bem no final do ano, véspera de Natal e na ante véspera das eleições do próximo ano.



Fica aquela suspeita no ar, essa lingüiça pendurada no cordão, é presente de Papai Noel, ou é campanha antecipada visando as eleições de 2010?
Então o INCRA deixa de lado sua missão de realizar uma reforma agrária séria e se torna distribuidor de crédito carbono, é? Já o pequeno
produtor deixa de ser um autônomo proprietário empreendedor para continuar dependente do bolsa família, dos créditos do INCRA, essas pequenas bondades do governo federal. Já a reforma agrária de verdade vai ficando para depois de amanhã, se Deus quiser? Afinal o INCRA se torna papai Noel, ou cabo eleitoral oficial??
http://www.radioruraldesantarem.com.br

Sea Shepherd inicia mais uma operação para salvar as baleias dos navios japoneses





Por Karina Ramos da ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais


Na foto, navio da Sea Shepherd enfrentando falso "navio de pesquisa" japonês no inicio de 2009.



A mais nova campanha da Sea Shepherd Conservation Society para interromper as atividades da indústria baleeira japonesa no Oceano Antártico já está em andamento.



O capitão Paul Watson e sua tripulação partiram, recentemente, no navio Steve Irwin de C-Dock, Victoria Quay, em Fremantle, com um grande grupo de apoiadores e a imprensa local que lá estava para a despedida. Uma visita surpresa de Terry, Bindi e Bob Irwin foi comemorada, com Bindi dizendo esperar que neste ano os japoneses não conseguissem matar baleia alguma.



“Estamos muito próximos de levar a frota beleeira à falência e acredito que afetaremos seus lucros significativamente neste ano e conseguiremos fazer a frota parar. Agradecemos todo o apoio que temos recebido ao redor do mundo, principalmente da Austrália, que faz com que tudo isso seja possível”, disse Paul Watson.



Recentemente, Paul também postou comentários em um artigo da Animal Concerns explicando por que essa operação pode ser a mais perigosa para a organização:



“Meu trabalho é dizer coisas que as pessoas podem não querer ouvir, fazer coisas das quais algumas pessoas podem discordar. Meu trabalho é incomodar as pessoas, salvar o máximo de vidas que for possível, balançar o barco e fazer ondas. Não estou aqui para ganhar concursos de popularidade ou o maldito Prêmio Ambiental Chevron. Não estou aqui para fazer falsas promessas e críticas açucaradas. Estou aqui para fazer a diferença e as pessoas podem argumentar se estou fazendo ou não. Não me importo, a história vai dizer.”



O outro navio da organização, o Ady Gil, partiu de Hobart, na Tasmânia.



Fonte: Animal Concerns









FOTOS créditos:
 Barbara Veiga / Sea Shepherd
 Michael Williams / Sea Shepherd

O PRIMEIRO CONFRONTO DO SEA SHEPHERD


O primeiro confronto entre os baleeiros japoneses e os defensores de baleias do Sea Shepherd ocorreu nesta segunda-feira, dia 14 de dezembro, quando o navio australiano Steve Irwin e o baleeiro japonês Shonan Maru 2 usaram seus canhões d’água de alta pressão pela primeira vez. Tal ferramenta é utilizada como arma tanto pela polícia de choque no mundo todo quanto pelos ativistas da Sea Shepherd e seus opositores a bordo da frota baleeira japonesa rumo a Antártida.

O Shonan Maru 2 tem perseguido o Steve Irwin desde o dia 9 de dezembro, em Fremantle, na Austrália. Por volta das 14 horas desta segunda-feira (horário de Melbourne), o Steve Irwin deu a volta em um iceberg, realizou uma manobra em 8 fora da visão do Shonan Maru 2 e ressurgiu a menos de uma milha dos baleeiros japoneses, pegando-os totalmente desprevenidos.

Uma perseguição se iniciou e os japoneses ligaram dois canhões de alta pressão d’água. A tripulação do Steve Irwin respondeu imediatamente, deixando seus canhões d’água em estado de prontidão. A perseguição em alta velocidade entre o Steve Irwin e o baleeiro japonês Shonan Maru 2 durou quase duas horas, até que o Capitão Paul Watson decidiu interromper a busca e retomar o curso do Steve Irwin para a costa da Antártida.

Os baleeiros japoneses estão gastando uma enorme quantia de dinheiro para manter a frota japonesa informada da posição do navio do Sea Shepherd. Primeiro localizaram o Steve Irwin pelo ar e depois redirecionaram o curso do Shonan Maru 2 para encontrá-lo através das coordenadas informadas pelo avião. O Capitão Paul Watson precisa despistá-los para que a tripulação do navio do Sea Shepherd possa localizar a frota baleeira japonesa.

A tripulação do Steve Irwin ficou animada após o confronto.“Foi excelente assisti-los correndo como covardes quando viramos o Steve Irwin na direção deles”, disse o australiano e terceiro em comando, Vincent Hayes.

Com informações de Sea Shepherd, Ecorazzi e Instituto Sea Shepherd Brasil

VIDEO

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

COPENHAGEN - CENTENAS DE ATIVISTAS SÃO PRESOS EM PROTESTOS




Neste domingo (13), 260 ativistas foram detidos quando se dirigiam ao porto da cidade em uma ação anticapitalista cujo objetivo era interromper a atividade comercial de grandes corporações poluentes. A mobilização foi convocada sob o lema "Hit the Production" (Ataquem a Produção).




Um grupo de aproximadamente 500 pessoas se reuniu no centro da cidade para depois se encaminharem para a área portuária. No entanto, um grande número de policiais interrompeu a marcha pouco depois e prendeu vários participantes da manifestação.




Além de prender várias pessoas, inclusive jornalistas dos meios corporativos credenciados, a polícia esvaziou a caminhonete de som que animava a mobilização e a levou embora. As autoridades também confiscaram a faixa principal do protesto com a inscrição "Ataquem a Produção".




Os manifestantes foram forçados a sentar-se no chão e algemados, permanecendo ali durante duas horas. A polícia pisoteou alguns ativistas e usou cães para amedrontar as pessoas.




Os detidos foram para um “Guantánamo Climático” criado especialmente para os manifestantes da cúpula climática, em Retortvej, organizado em Valby, nas imediações de Copenhague.




A polícia e a grande imprensa continuam, como de praxe, acusando grupos anarquistas de estarem na cidade para promover atos de violência durante a Conferência do Clima.




A maioria dos detidos ontem (12) já foram soltos.




Fotos: http://indymedia.dk/articles/1617




Vídeo: http://www.modkraft.dk/spip.php?article12204




agências de notícias anarquistas-ana

domingo, 13 de dezembro de 2009

VÍDEO DA ABERTURA DA COP 15

Vídeo de abertura da COP-15 lembra que “nós temos o poder de mudar o mundo” — EcoDesenvolvimento

LEIA EM ....



O RITMO DA PRODUÇÃO DETERMINA O CAOS CLIMÁTICO


A catástrofe climática não aconteceu por acaso e não é apenas uma catástrofe ambiental acontecendo no Ártico. Nosso sistema econômico, a forma como ele produz bens e a forma como são transportados e, finalmente, consumidos é a raiz da mudança climática.



A COP15, negociações climáticas da ONU, não vão resolver a crise do clima.
Escudados em uma ideologia de crescimento econômico, as suas soluções baseadas no mercado apenas, reforça os interesses dos atores mais poderosos. Enquanto isso, a destruição ecológica e as injustiças sociais campeiam e só aumentam.



Veja o texto completo em "NOTÍCIAS" e em "LITERATURA"  em
http:// http://www.colunadosardinha.wordpress.com/

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QUATRO FRASES QUE FAZEM O NARIZ DO PINÓQUIO CRESCER!



EDUARDO GALEANO.


1 – Somos todos culpados pela ruína do planeta.
A saúde do mundo está feito um caco. ‘Somos todos responsáveis’, clamam as vozes do alarme universal, e a generalização absolve: se somos todos responsáveis, ninguém é. Como coelhos, reproduzem-se os novos tecnocratas do meio ambiente. É a maior taxa de natalidade do mundo: os experts geram experts e mais experts que se ocupam de envolver o tema com o papel celofane da ambiguidade. Eles fabricam a brumosa linguagem das exortações ao ‘sacrifício de todos’ nas declarações dos governos e nos ...

Leia em  "LITERATURA"


sábado, 12 de dezembro de 2009

COPENHAGEN CENTENAS DE ATIVISTAS SÃO PRESOS EM PROTESTO





Fotografia: Christian Charisius / Reuters


Cerca de 600 pessoas foram presas hoje em Copenhagen, após violentos atos isolados que estouraram durante a marcha de protesto para exortar os delegados da conferência à elaboração de um acordo vinculativo para combater as alterações climáticas.
A manifestação foi em grande parte pacífica, mas foi prejudicada quando um grupo de manifestantes atiraram tijolos contra a polícia.



Os organizadores estimam que até 100.000 manifestantes, incluindo alguns vestidos como pingüins e ursos polares e carregando cartazes dizendo "Save the Humans", juntou-se à marcha em toda a cidade dirigindo-se para o centro de conferências onde os negociadores e os ministros estão reunidos.
" Um manifestante britânico, Georgy Forshall, disse ao Observer: "Dois dos meus amigos estão lá dentro presos. A polícia disse que os manifestantes tinham sido apanhados atirando pedras, mas meus amigos estavam em uma fantasia de vaca e não teriam sido capazes de jogar pedras ".
 A polícia dinamarquesa, que estima o número de participantes na marcha em 30.000, disse que dois britânicos envolvidos no protesto serão deportados.
O porta-voz da Polícia Henrik Jakobsen Moeller disse que as prisões foram feitas por causa do arremesso de pedras". Os militantes também usam máscaras em seus rostos e isso é ilegal sob a lei dinamarquesa", disse ele.
A cúpula patrocinada pela ONU, entretanto, está entrando em sua fase final com mais de 100 líderes mundiais, incluindo a Barack Obama, Gordon Brown e chinês, Wen Jiabao, devendo a chegar a um acordo.
Até agora, a conferência tem-se caracterizada por uma postura crítica, mas ganhou algum folgo na sexta-feira com o lançamento de um documento que prevê metas ambiciosas para a redução de gases de efeito de estufa para os próximos 40 anos.
As nações industrializadas que tem grande peso na redução das emissões no curto prazo, estão propondo coletivamente, reduzir sua produção de gases com efeito de estufa entre 25% e 45% em 2020 em comparação com 1990.


Durante esse tempo, os principais países em desenvolvimento reduzem entre 15% e 30%. Juntos, todos os países devem reduzir as emissões entre 50% e 95% até 2050.
No entanto, o texto não indica quanto dinheiro os países ricos dariam aos países pobres para lidar com o aquecimento global o que é o pomo de discórdia.
A União Européia comprometeu-se a fornecer US $ 3,6 bilhões por ano, durante os próximos três anos para ajudar os países mais pobres a se adaptarem ao impacto das alterações climática; lidar com inundações e secas e evitar o desmatamento.
Este valor foi julgado insuficiente por representantes de pequenos Estados insulares e pelo bloco dos países menos desenvolvidos.
Os Estados insulares - como as Maldivas, Seychelles e Tuvalu - são os mais vulneráveis à subida do nível do mar, como conseqüência do derretimento das calotas de gelo e, estão particularmente preocupados com a necessidade de capital para ajudá-los a se adaptar.
Eles querem que qualquer tratado final acordado em Copenhagen para definir um ano de destino, dentro da próxima década, quando as emissões de pico e depois começar a cair. Este conceito está ausente do projeto.
http://www.guardian.co.uk/

Veja este texto em inglês em: http://www.colunadosardinha.wordpress.com/

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A ERA DO BLEFE


Blefe é o aportuguesamento de uma palavra – bluff - largamente utilizada nas mesas de poker dos Estados Unidos e significa dissimulação, logro, engodo, etc.
Note que bluff não significa obrigatoriamente trapaça, mas uma forma de levar o adversário a acreditar naquilo que você o induz a fazê-lo.
O blefe é uma verdadeira instituição americana, que adora poker e leva tão a sério a arte de blefar, que o bluffer, o blefador, é venerado, copiado e imitado.

Quando Barack Obama iniciou sua campanha vitoriosa à Casa Branca, cujo slogan era “We can” (nós podemos), sua plataforma diferia da água para o vinho do governo de seu antecessor e basicamente, no plano externo fundava-se: na aproximação com todos os países indistintamente, inclusive os denominados por Bush como eixo do mal; fim das intervenções armadas no Afeganistão e no Iraque; desmobilização da base de Guantánamo em Cuba.
Prometia enfim, um governo de “esquerda”, onde as minorias teriam voz e vez e as questões sensíveis, que dizem respeito ao humanismo seriam prioridade.
À braços com uma crise mundial, Obama tinha créditos de sobra para enfrentá-la e saiu-se vitorioso, mas a imprensa não diz, essa vitória custou-lhe caro, politicamente e o tempo irá provar.
Um ano após eleito, o presidente americano parece que descobriu que entre a teoria e a prática existe um Mississipi de distância. Obama parece que encontrou a “direita”.
Se vale o dito “uma pessoa, um voto”, vale a contrapartida “um dólar é um dólar”. Afeganistão, já não é bem aquilo e lá vão mais setenta mil soldados. O Iraque precisa ainda ser “pacificado” e os prisioneiros de Guantánamo, ninguém os quer no quintal.
Na questão climática, o chamado mercado de carbono que envolve os valiosos dólares, as informações da presença americana num eventual protocolo de Copenhagen mudam de direção aos ventos do clima e das informações desencontradas e a assinatura americana é tão incerta quanto a quantificação dos números de CO2 retirados do meio ambiente pelo Brasil, por exemplo.
Pais que vai a Copenhagen levando na bagagem a ambiciosa meta de seqüestro , diminuição das emissões, em 40% do gás carbônico que despeja na atmosfera até 2.020, ao mesmo tempo em que denota um absurdo descomprometimento com questões ambientais internas.
Aliás, a todos os países em desenvolvimento interessa a imposição de altas metas de retirada de gás carbônico do meio ambiente, por que mercê da incipiente industrialização, sobrar-lhes-ão excedentes que poderão ser vendidos a países do primeiro mundo, gerando com isso milhões de dólares em receitas.
Seria interessante que se aproveitasse Copenhagen, onde Lula está posando de defensor do clima do planeta e se mostrasse a realidade dos desastres ambientais praticados por este governo e se exigisse dele uma explicação satisfatória, para intuir-se a sua real intenção.
Enumeraríamos algumas questões que vão muito além da conversa vazia, como a transposição do São Francisco, as hidrelétricas do rio Madeira e de Belo Monte, a reforma extemporânea do Código Florestal e o mais recente absurdo, a autorização para plantio de cana de açúcar, uma cultura que causa degradação ambiental irreversível, no santuário ecológico do pantanal matogrossense.
Ao preterir o ministro do Meio Ambiente e nomear a ministra-chefe da Casa Civil como a representante do Governo em Copenhagen para a Conferência do Clima, Lula sinalizou com quais critérios utiliza nas coisas que dizem respeito à sobrevivência na Terra: midiático e político.
Escolha infeliz e equivocada, que demonstra apenas o interesse da permanência no poder, pois no currículo da ministra consta, que além de ser candidata à sucessão de Lula, foi Ministra das Minas e Energia e é atualmente membro do Conselho Diretor da não muito ecológica Petrobrás.


Luiz Bosco Sardinha Machado

LEIA NA SEÇÃO:

 "NOTÍCIAS" EM http://www.colunadosardinha.wordpress.com/

VAZAMENTO DE INFORMAÇÕES ACIRRA OS ÂNIMOS EM COPENHAGEN
POLICIA DINAMARQUESA PRENDE 200 ATIVISTAS

COP 15

PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO NÃO CHEGAM A ACORDO EM REIVIDICAÇÕES





terça-feira, 8 de dezembro de 2009

EM COPENHAGEN, CLIMA DE ESPERANÇA DOMINA A CONFERÊNCIA

Dennis Barbosa
Do G1, em Copenhague


Delegações dos 193 países terão apenas 6 dias de reuniões técnicas.
Ministros terão 2 dias para negociar até a chegada dos líderes nacionais.


" O tempo de declarações formais acabou"

A Conferência sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (COP 15) começou na manhã desta segunda-feira (7) em clima de esperança - pelo menos da parte dos organizadores - em relação a um acordo global de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa. O evento foi aberto oficialmente pelo presidente da COP 14, o polonês Maciej Nowicki.




Primeiro-ministro dinamarquês Lokke Rasmussen discursa na abertura da COP 15 (Foto: AFP/ATTILA KISBENEDEK)




Na cerimônia de abertura, o secretário-executivo da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática, Yvo de Boer, destacou que o “tempo de declarações formais acabou”. “Chegou o momento de darmos as mãos”, prosseguiu o representante da ONU.

Ele lembrou aos participantes que lotavam o plenário principal do Bella Center, espaço de convenções onde acontece a conferência, que as delegações dos 193 países terão apenas seis dias de reuniões técnicas para entregar resultados aos seus ministros (no caso da delegação do Brasil, quem está à frente é a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff).




Instalação 'The Pulse of the Earth', perto do centro de convenções onde ocorre a Convenção sobre Mudanças Climáticas, busca chamar a atenção para as consequências do aquecimento global (Foto: Reuters/Pawel Kopczynski)

Os ministros, então, terão dois dias para negociar até a chegada dos líderes nacionais que, se as esperanças se confirmarem, podem fechar um acordo climático global até 18 de dezembro.

A prefeita de Copenhague, Ritt Bjerregaard, e o primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Rasmussen, reforçaram na abertura a esperança de que as negociações avancem neste encontro. Bjerregaard disse que a cidade precisa se tornar “Hopenhagen”, trocadilho com a palavra “esperança” em inglês (hope) que tem sido usada em campanhas em favor de um consenso climático. As autoridades dinamarquesas esperam que seu país fique marcado como o que selou o acordo que vai substituir o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.


A presidente da COP 15 e ex-ministra do Clima da Dinamarca, Connie Hedegaard, destacou os compromissos de controle das emissões assumidos pelas nações em desenvolvimento, incluindo o Brasil, e também apelou aos presentes por um acordo.


O presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, sigla em inglês), Rajendra Pachauri, se juntou a De Boer e aos governantes dinamarqueses ao pedir um acordo em Copenhague.

Ele aproveitou para criticar o vazamento de e-mails trocados por cientistas da Universidade de East Anglia, na Grã-Bretanha, e de outras instituições, que levaram a acusações de que dados produzidos por pesquisadores do clima não seriam confiáveis. Pachauri argumentou que um novo acordo de redução de emissões incomoda de tal maneira que provoca até o cometimento de “ilegalidades”. Ele destacou ainda que as pesquisas produzidas pelo painel não são resultado de trabalho individual,e sim de milhares de cientistas que pesquisam e checam suas conclusões entre si.




Ativista infla balão que diz 'Este é o tamanho de uma tonelada de CO2', em frente ao centro de convenções onde acontece a Cop 15, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague, na Dinamarca.

fonte:msn verde




segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

BRASIL E ALEMANHA FALAM SOBRE A CONFERÊNCIA DE COPENHAGEN


Por Cristina Leite


Brasil e Alemanha estarão presentes na Conferência de Copenhague e esperam avanços em negociações sobre o clima


Na conferência de Copenhague, representantes do Brasil e Alemanha, convocados para chegarem a um acordo de quais serão as medidas necessárias para um novo tratado sobre o clima e elaborar um cronograma para formalizá-lo.


O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva admitiu não acreditar que conseguirão chegar ao acordo dos sonhos na conferência de Copanhague que será na próxima semana. Porém, após o encontro a chanceler alemã, Angela Merkel, Lula disse que espera progressos importantes.


O objetivo dos líderes é "um acordo sobre tudo o que é necessário para o novo tratado sobre o clima e um cronograma para a concretização", declararam conjuntamente.


Merkel disse aos repórteres que o esperado para o acordo de Copenhague deve ser formalizado "nos próximos meses". E Acrescentou : "Precisamos de contribuições de todos os países – os naturalmente diferentes, dependendo de suas condições ".


A conferência de Copenhague originalmente se destinava a produzir um tratado final contra aquecimento global, mas agora isto parece fora de alcance. A maioria dos líderes agora esperam que pelo menos todos cheguem a um comum acordo, deixando alguns detalhes a serem concluídos posteriormente.


Os dois representantes estarão presentes na conferência.








Presidente Lula diz "Desculpe, nós poderíamos ter impedido mudanças climáticas catastróficas... mas não impedimos"