quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Noruega é número 1 em Índice de Desenvolvimento Humano, diz ONU


Relatório, divulgado nesta quarta-feira, coloca Brasil em
 84º lugar, uma posição acima do ano passado; República Democrática do Congo aparece em última posição.

República Democrática do Congo é última no ranking
Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.
Um relatório das Nações Unidas revela que a Noruega é o país com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano, IDH, do mundo.
A nação escandinava é seguida por Austrália, Holanda, Estados Unidos e Nova Zelândia. A pesquisa foi divulgada, pela ONU, nesta quarta-feira, em Copenhague, capital da Dinamarca.
Futuro Melhor
De acordo com o “Relatório Desenvolvimento Humano 2011: Sustentabilidade e Equidade, um Futuro Melhor para Todos”, o Brasil ocupa a posição 84 no ranking global dos 187 países pesquisados.
A classificação está uma posição acima se comparada ao do estudo anterior quando o Brasil ocupou o 85º lugar. Desde 2006, o país subiu três posições.
Com isso, o país continua no grupo das nações com desenvolvimento alto. A compilação inclui dados sobre saúde, educação, expectativa de vida e renda dos habitantes de cada país.
Desigualdade de Gênero
O estudo do Pnud também chama a atenção para o desenvolvimento sustentável e a desigualdade de gênero.
A encarregada de informação do Pnud, Carolina Gomma Azevedo, falou à Rádio ONU sobre os desafios ambientais e a ameaça que eles representam para o progresso global, principalmente entre os países pobres.
Mas segundo ela, com políticas acertadas, os problemas podem ser reduzidos.
“O que o relatório fala é que sustentabilidade ambiental pode sim ser alcançada, de maneira mais justa e eficaz, se as desigualdades de saúde, educação, gênero forem enfrentadas todas ao mesmo tempo. Com medidas globais, especialmente com distribuição de energia porque há muitas pessoas que não têm energia hoje, e protegendo os escossistemas.”
Mulheres no Parlamento
Um outro índice do relatório do Pnud é a questão de desigualdade de gênero. Neste quesito, o Brasil ficou com a pior nota dentre os países de língua portuguesa no que se refere ao número de mulheres no Parlamento.
As melhores colocações vão para Angola e Moçambique com quase 40% de cadeiras no Congresso ocupadas por parlamentares femininas. Já o Brasil tem apenas 9,6% um pouco menos que a Guiné-Bissau com 10%.
A desigualdade social, como um todo, permanece alta no Brasil.
No cômputo geral, o país lusófono com índice mais alto de desenvolvimento é Portugal, que caiu uma posição no ranking global, passando agora ao 41º lugar e o que tem o IDH mais baixo é Moçambique, no sul da África, na posição 184.
No ranking global, a nação menos desenvolvida é a República Democrática do Congo, no centro-sul do continente africano.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Alerta sobre transgênicos: vegetais alteram genes humanos

FONTE- CPT NACIONAL
Considere a couve-de-bruxelas: pequena, despretensiosa e aparentemente boa para sua saúde. Pois saiba que, no seu prato, ela merece bem mais do que um lugar de coadjuvante. Ela e boa parte dessa família de vegetais. Um novo estudo sugere que este minúsculo membro da família do repolho - juntamente com arroz, brócolis e, possivelmente, todas as plantas que você come - altera o comportamento de seus genes de formas que são totalmente novas para a ciência. Além da importância para a alimentação e a prevenção de doenças, a descoberta tem um impacto direto sobre os alimentos geneticamente modificados.
(New Scientist)
Material genético das plantas
Naquela que é a mais forte evidência de que o material genético dos alimentos sobrevive à digestão e circula pelo corpo, fragmentos de RNA de plantas foram encontrados circulando na corrente sanguínea de pessoas, de camundongos e de vacas.
Além do mais, o estudo de Chen-Yu Zhang e seus colegas da Universidade de Nanjing, na China, mostra que os RNAs de algumas dessas plantas alteram a expressão gênica, afetando um componente bem-conhecido da saúde: eles elevam os níveis de colesterol em camundongos.
A notícia é fundamentalmente muito boa.
A descoberta cria uma nova maneira de transformar alimentos em medicamentos: poderemos ser capazes de selecionar plantas que alteram nossos genes para nos fazer bem.
MicroRNAs
O material genético em questão é o microRNA - pequenas fitas de RNA, com algo entre 19 e 24 "letras" (nucleotídeos) de comprimento.
Os microRNAs são encontrados em quase todas as células que possuem núcleo, e viajam de célula em célula no sangue.
Zhang e seus colegas se perguntaram se todas as fitas de miRNA em nosso sangue são feitas por nossas células - ou se algumas vêm da nossa comida.
Os experimentos com sangue humano mostraram que dois microRNAs estavam presentes em concentrações particularmente elevadas: MIR168a e MIR156a - e eles são abundantes no arroz e em membros da família Brassicaceae, que inclui couve-de-bruxelas, brócolis, repolho e couve-flor.
Surpreendentemente, Zhang encontrou MIR168a e MIR156a no fígado, intestino delgado e pulmões de camundongos.
Dada a importância do arroz na dieta dos chineses - aliado ao fato de que o cozimento não destrói os miRNAs das plantas - Zhang concluiu que proporção tão elevada dos miRNAs encontrados no sangue humano só poderia ter uma origem: os alimentos.
mRNA de planta altera expressão genética
Em uma série de experimentos, os pesquisadores descobriram que o MIR168a não apenas sobrevive em células animais, mas também que ele pode alterar a expressão genética.
Juntas, as evidências sugerem que, em camundongos pelo menos, o MIR168a do arroz sobrevive à digestão, inibe a produção de uma proteína e aumenta os níveis de colesterol no sangue.
Simplificando, um miRNA de uma planta é capaz de elevar os níveis de colesterol em camundongos.
O próximo passo, naturalmente, será confirmar esses efeitos adicionais em seres humanos.
Mas a descoberta já acendeu uma luz de alerta em uma outra área: no nascente campo dos alimentos geneticamente modificados.
Feijoada que altera genes?
Há poucos dias, o Brasil se tornou pioneiro no mundo ao liberar uma variedade de feijão transgênico para consumo humano.
A revista Nature publicou uma reportagem que não toma partido na questão, mas que levanta as diversas preocupações sobre o consumo humano justamente de um alimento tão importante na dieta, como o feijão é no Brasil.
Os criadores e defensores do feijão transgênico argumentam justamente que o alimento geneticamente modificado não produz "proteínas estranhas", mas tão-somente microRNAs para atacar o vírus.
E, acrescentam eles, "não há evidências de que esse armamento molecular seja perigoso para os humanos."
Não havia, porque agora a pesquisa do Dr. Zhang mostra uma participação dos RNAs dos alimentos no organismo humano em uma intensidade que nem os mais severos críticos dos alimentos transgênicos sonhavam.
Preocupação séria
Enquanto estudos anteriores não ofereceram indícios de que os genes geneticamente modificados dos alimentos alterem a fisiologia humana, o estudo de Zhang sugere que todas as plantas que comemos modificam nossa expressão genética durante o tempo que continuarmos nos alimentando delas.
Uma questão extremamente séria.
E deve-se levar em conta que os estudos anteriores nunca pesquisaram uma situação na qual um alimento geneticamente modificado será consumido diariamente por uma população, eventualmente ao longo de toda a sua vida, como será o caso do feijão no Brasil

Quilombolas têm seus territórios ameaçados por projetos hidrelétricos e minerários

Livro “Terras Quilombolas em Oriximiná: pressões e ameaças” traz dados preocupantes que evidenciam os desafios enfrentados pelos quilombolas no município paraense


Bianca Pyl/
Comissão Pró-Índio de São Paulo
FONTE- BRASIL DE FATO
Foto: Carlos Penteado
O livro “Terras Quilombolas em Oriximiná: pressões e ameaças” traz dados preocupantes que evidenciam os desafios enfrentados pelas 35 comunidades quilombolas do município paraense de Oriximiná, na região Amazônica, para proteger suas terras mesmo aquelas já tituladas. 
Os quilombolas em Oriximiná constituem uma população de cerca de 8.000 pessoas que se distribuem por 35 comunidades rurais em nove territórios étnicos nas margens dos Rios Trombetas, Erepecuru, Acapu e Cuminã. Quatro dos territórios já se encontram titulados e um quinto está parcialmente regularizado - a dimensão da área titulada em Oriximiná corresponde a 37% do total das terras quilombolas tituladas no Brasil.
O estudo inédito, que acaba de ser lançado pela Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP), confirma a contribuição das terras quilombolas na proteção das florestas. O estudo de imagens de satélite demonstrou que apenas 1% dos territórios quilombolas em Oriximiná encontra-se desmatado e que, de forma geral, o ritmo do desmatamento nas terras quilombolas está diminuindo.

A pesquisa revela também que as terras quilombolas estão sob risco. Além do avanço de desmatamento na direção das áreas quilombolas foram identificados diversos fatores de risco, como a ação das empresas madeireiras; as iniciativas de concessão florestal pelo governo federal e estadual;  e os projetos minerários e hidrelétricos, envolvendo empresas privadas e o governo federal, que pretendem explorar os recursos dos territórios destas comunidades, causando grande impacto em seus modos de vida. 
Foto: Carlos Penteado
Dentre as pressões identificadas pela pesquisa da CPI-SP chamam a atenção os interesses minerários: são 94 processos minerários incidentes nas terras quilombolas em Oriximiná, sendo que 10 deles são concessão de lavra em nome da Mineração Rio do Norte. Quatro dos territórios quilombolas têm mais de 70% de sua extensão sob interesses minerários em diversas etapas. 

Na região de Oriximiná, na bacia do Rio Trombetas, o Ministério de Minas e Energia realiza estudos para a construção de 15 empreendimentos hidroelétricos: 13 deles contam com estudos de inventário; um com estudo de viabilidade e um com projeto básico. Segundo o “Plano Nacional de Energia 2030”, a área total a ser inundada por tais hidroelétricas soma 5.530 quilômetros quadrados abrangendo terras quilombolas, terras indígenas e unidades de conservação.
A publicação aponta ainda que o direito a consulta livre, prévia e informada  — previstos na Convenção 169 — não tem sido respeitado na medida em que muitas decisões que afetam diretamente essas comunidades estão sendo tomadas sem que os quilombolas tenham acessam a informação completa e acessível, tenham a oportunidade de refletir internamente sobre as questões postas e de fato possam expressar sua opinião.

Para ter acesso a publicação completa acesse http://www.cpisp.org.br/pdf/Oriximina_PressoesAmea%C3%A7as.pdf  

Índios e soberania


Dalmo Dallari* /do CIMI

Estabelece a Constituição brasileira, no artigo 12, que “são brasileiros natos os nascidos na República Federativa do Brasil”. Assim, é mais do que óbvio que os índios nascidos no território brasileiro são brasileiros, com todos os direitos da cidadania brasileira. A par disso, é também evidente que a ocupação de terras por brasileiros, índios e não índios, em qualquer parte do território nacional e segundo as normas da legislação vigente, merece todo o respeito e toda a proteção, por ser expressão jurídica da soberania do Estado brasileiro sobre seu território. Por incrível que pareça, isso que é claramente disposto em normas constitucionais está sendo ignorado por um senador da República, que, na defesa apaixonada dos interesses do agronegócio, chegou ao absurdo de afirmar que a manutenção dos índios em seus territórios tradicionais põe em risco a soberania brasileira.

De acordo com o que está expressa e claramente disposto no artigo 231 da Constituição, “são reconhecidos aos índios os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam”. Os índios não são proprietários dessas terras, que integram o patrimônio da União e são inalienáveis, como estabelece o mesmo artigo 231. Tudo isso está sendo ignorado pelo senador Aldo Rebelo, que, eleito pelo Partido Comunista do Brasil, vem agindo contrariamente aos fundamentos programáticos de seu partido, defendendo com persistência e reiteradamente os interesses do agronegócio, assumindo posições contrárias aos interesses do povo brasileiro. Com efeito, na condição de relator do projeto de reforma do Código Florestal, o senador Rebelo propôs e defendeu com grande veemência disposições que, como tem sido demonstrado, são claramente contrárias ao interesse público.

Afrontando os princípios e as normas básicas, internacionalmente consagrados, que recomendam o uso das terras de modo a preservar o meio ambiente, as posições por ele defendidas priorizam escancaradamente os interesses econômicos do agronegócio. É oportuno assinalar que, surpreendentemente, suas posições seguem a orientação adotada pela senadora pelo Estado de Tocantins Kátia Abreu, que acaba de ser reeleita presidente da Confederação Nacional da Agricultura. Assim, além de introduzir no projeto de Código Agrário disposições que fragilizam a defesa do meio ambiente, o senador Aldo Rebelo defendeu também a concessão de anistia aos praticantes de crimes ambientais já condenados ao pagamento de elevadas multas. Isso significa que, além de não serem punidos pelo grave prejuízo que causaram ao meio ambiente, esses infratores deixarão de pagar muitos milhões de reais que são devidos ao povo brasileiro sob a forma de multas impostas pela autoridade federal. Esse prejuízo ao povo é direto e mais do que óbvio, sendo absolutamente contraditória sua defesa por um mandatário do povo eleito pelo PCdoB.     

Culminando nas contradições, o senador Aldo Rebelo publicou artigo no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 19 de outubro, no qual se manifesta contra o respeito à diversidade cultural e diz que com a concessão, às comunidades indígenas, do direito ao uso dos territórios que tradicionalmente ocupam, o Estado brasileiro “perde a soberania para dispor do território”. É curioso que o mesmo raciocínio não seja aplicado aos grandes proprietários de áreas rurais, que, além de serem proprietários — enquanto os índios são apenas ocupantes das terras em que vivem e a propriedade é da União — usam seu direito de modo contrário aos interesses do povo brasileiro, agredindo o meio ambiente e sendo sistematicamente perdoados e dispensados de pagar as quantias devidas pelas infrações cometidas. Neste caso se poderia dizer com maior propriedade que o Estado brasileiro está abrindo mão de seu poder de dispor soberanamente sobre seu território, pois as regras por ele estabelecidas não são respeitadas, e isso não gera consequências. Em resumo, a permanência nas terras que tradicionalmente ocupam e delas fazem uso para residência, atividades produtivas e bem-estar, bem como para “sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições”, tem fundamento na Constituição, que é expressão da vontade do povo brasileiro. E essa ocupação por cidadãos brasileiros índios é uma forma de exercício da soberania do Estado brasileiro. 

Dalmo de Abreu Dallari é jurista
* este artigo foi publicado no Jornal do Brasil 

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Libélulas 'morrem' de medo de peixes, diz estudo


Estresse causado pela presença de predadores pode ser letal aos insetos.


Trabalho sobre o tema foi divulgado na revista científica 'Nature'


Do G1, em São Paulo
 A presença de peixes predadores pode levar à morte libélulas por conta do estresse, segundo um estudo divulgado por uma equipe de biólogos da Universidade de Toronto, no Canadá. Os pesquisadores descobriram que o medo toma conta das libélulas até mesmo quando os predadores aquáticos não consegue alcançar os insetos para matá-los. O trabalho foi divulgado na revista científica "Nature".


Durante o estudo, os canadenses criaram larvas de libélulas da espécie Leucorrhinia intacta em tanques e aquários junto a seus predadores. Os animais foram separados de forma que as líbelulas pudessem ver e sentir o cheiro dos peixes, mas não podiam ser alcançadas por eles.
Rowe afirma que o resultado das pesquisas era inesperado. As taxas de sobrevivência das larvas colocadas próximas aos predadores eram de 2,5 a 4,3 vezes menores do que as de libélulas criadas longe das ameaças.
Outro experimento mostrou que 11% das larvas expostas a peixes morreram quando tentaram fazer a metamorfose para se tornarem líbelulas adultas. Esse percentual baixou para 2% entre os insetos criados longe dos predadores.
Para os cientistas, estas descobertas podem ser aplicadas para todo tipo de ser vivo que passe por estresse elevado. Eles defendem que este estudo publicado na "Nature" possa servir como um modelo para pesquisas futuras sobre a relação do estresse com a morte.
O estudo do medo é um tema importante entre as pesquisas em ecologia, segundo o professor Locke Rowe, um dos autores do artigo. Conforme avançam os estudos sobre como os animais respondem quando sentem a presença de predadores, os cientistas desvendam cada vez mais a ligação do estresse com o aumento do risco de morte. Infecções que normalmente não matariam os bichos, tornam-se perigosas quando o animal se sente em perigo.
Libélulas têm medo de peixes predadores, segundo estudo divulgado na revista 'Nature'. (Foto: Shannon J. McCauley)Libélulas têm medo de peixes predadores e podem morrer por conta do estresse que sofrem, segundo estudo divulgado na revista 'Nature'. (Foto: Shannon J. McCauley / Divulgação

Governo detalha proposta do Brasil para a Conferência Rio+20 em 2012



Renata Giraldi/Repórter da Agência Brasil
Os detalhes da proposta do Brasil para a Conferência Rio+20 serão apresentadas hoje (1º) em Brasília. Na proposta deve ser sugerida a criação de um programa de proteção socioambiental global  e recomendado um pacto global para a produção e o consumo sustentáveis, além de um protocolo verde internacional para o setor financeiro. Também deve ser definido que o país  financiará estudos e pesquisas sobre desenvolvimento sustentável.
A proposta elaborada pelo governo brasileiro será enviada hoje à Organização das Nações Unidas (ONU). Daqui para a frente, começa o processo internacional de negociação. A ideia é que o documento seja utilizado pela ONU para a elaboração do chamado Projeto Zero – que servirá de base para os países negociarem os documentos finais da conferência.
O documento será detalhado durante entrevista coletiva concedida hoje pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, pelo assessor extraordinário da Rio+20, Fernando Lyrio, e pelo subsecretário-geral de Meio Ambiente, Energia e Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, além de integrantes dos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).
A Conferência Rio+20 é tema de todas as reuniões da presidenta Dilma Rousseff com autoridades estrangeiras. Ela desembarca ainda hoje em Cannes, na França, para a 6ª Cúpula do G20 (que reúne as 20 maiores economias do mundo) e o assunto será abordado com os chefes de Estado e de Governo.
As discussões da Conferência Rio+20 ocorrerão na área do Porto do Rio de Janeiro, de 28 de maio a 6 de junho de 2012. Será a maior conferência mundial sobre preservação ambiental, desenvolvimento sustentável e economia verde e definirá um novo padrão para o setor. Mais de 100 presidentes da República e primeiros-ministros estarão presentes.
A Rio+20 ocorrerá duas décadas depois de outra conferência que marcou época, a Rio 92. O objetivo é definir um modelo internacional para os próximos 20 anos com base na preservação do meio ambiente, mas com foco na melhoria da qualidade de vida a partir da erradicação da pobreza, da economia verde e do desenvolvimento sustentável para uma governança mundial.
Edição: Graça Adjuto

Tecnologia à base de energia solar elimina poluentes orgânicos da água


Sistema, cujo pedido de patente já foi depositado, 
é sustentável e viável economicamente
Véronique Hourcade/Especial para o Jornal da Unicamp
A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou que 2,6 bilhões de pessoas no mundo vivem sem acesso a saneamento adequado. O alerta foi dado por ocasião do lançamento do programa “Saneamento Sustentável: Cinco Anos até 2015”, em junho último, cuja proposta é acelerar a redução pela metade da quantidade de pessoas sem acessos a saneamento básico, reconhecido pela ONU como um direito humano.
Nesse sentido, pesquisas como a desenvolvida pelo grupo de Fotoeletroquímica & Conversão de Energia, coordenado pela professora Cláudia Longo, do Instituto de Química (IQ) da Unicamp, ganham destaque. O trabalho resultou no desenvolvimento da tecnologia “Sistema para purificação de água que utiliza energia solar e eletrodo de TiO2 nanocristalino para destruir poluentes”, que tem pedido de patente depositado pela Agência de Inovação Inova Unicamp junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) e traz uma alternativa sustentável, viável economicamente e altamente eficiente, para eliminar poluentes orgânicos da água.
De acordo com a professora Cláudia Longo, os resultados obtidos nos experimentos realizados em escala laboratorial são promissores e indicam que o sistema pode ser aperfeiçoado e utilizado para promover melhor condição de vida para a população. O aperfeiçoamento, conforme explica, poderá viabilizar a utilização dessa tecnologia para a etapa final do tratamento de efluentes industriais. “Também poderá ser utilizada para a purificação da água consumida por pessoas que vivem em regiões sem acesso a saneamento básico”, aponta.
Após providenciar o registro de pedido de patente, os resultados do trabalho foram divulgados em 2010 na revista Applied Catalysis B: Environmental, uma das mais conceituadas da área. A pesquisa vem sendo desenvolvida desde 2004 e conta com financiamento da Fapesp, CNPq e Capes por meio de auxílios à pesquisa e bolsas. Também recebeu apoio do Instituto Nacional de C,T&I em Materiais Complexos Funcionais (Inomat), coordenado pelo professor Fernando Galembeck (IQ).
Os estudos foram realizados no âmbito do projeto de mestrado de Haroldo Gregório de Oliveira, que é coautor da patente e atualmente desenvolve o doutorado na área, e também em programas de iniciação científica desenvolvidos por estudantes de Química, Farmácia e de Engenharia Química.
Em 2009, na ocasião do XVII Congresso Interno de Iniciação Científica da Unicamp, a professora Cláudia recebeu uma menção honrosa concedida pela Pró-Reitoria de Pesquisa por orientar o aluno Fernando C. L. Miaise no trabalho “Desenvolvimento de um sistema para purificação de água por fotocatálise heterogênea eletroassistida utilizando eletrodo de TiO2 nanocristalino e células solares”.
Outra premiação foi concedida na 33ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química: o trabalho “Descontaminação de água com eletrodo de TiO2 conectado a célula solar: oxidação de fenol no anodo e deposição de cobre no catodo” foi apresentado oralmente e como painel, tendo sido eleito um dos melhores painéis da sessão de Química Tecnológica.

Purificação

A conversão de energia solar em aplicações que visam a melhoria do meio ambiente é o que move o grupo de pesquisa do IQ e, no trabalho que resultou no pedido de registro de patente, o objetivo é o de purificar a água por meio dessa fonte de energia. Os pesquisadores desenvolveram um sistema que consiste na conexão de um eletrodo de TiO2 a células solares, resultando na combinação de duas aplicações da conversão da energia solar por meio de semicondutores.
Conforme explica Cláudia, a primeira aplicação resultante, e já bastante conhecida, é a conversão em energia elétrica. A outra se refere à purificação da água. O diferencial do trabalho é a combinação das duas, tornando o processo mais eficiente em relação às alternativas existentes. Em relação ao tratamento de efluentes disponíveis atualmente, ela aponta algumas limitações, como custos elevados e o longo período necessário para a descontaminação. Outro fator relevante inclui a baixa eficácia para eliminar diversos poluentes orgânicos solúveis, tais como fenol, pesticidas, corantes e medicamentos. Estes poluentes persistentes permanecem no ambiente por longos períodos, já que não são biodegradáveis.
O tema da presença de contaminantes emergentes é objeto de estudo do professor Wilson de Figueiredo Jardim, também do IQ. No primeiro semestre deste ano, inclusive, ele organizou um workshop na Unicamp sobre a presença desses contaminantes na água para consumo humano (ver em Portal da Unicamp, 14 de abril de 2011). Na ocasião, Jardim afirmou que ainda não se sabe, ao certo, dos riscos à saúde humana, mas o efeito em animais já foi comprovado, como é o caso da alteração no sexo dos peixes, provocando uma feminização dos machos.
No evento, o docente apresentou ainda o resultado do projeto temático sobre a ocorrência de contaminantes emergentes em mananciais e água consumida no Estado de São Paulo. Foram encontrados vários, entre os quais atrazina (agrotóxico), cafeína, hormônio sintético e substâncias de medicamentos. O levantamento contou com financiamento da Fapesp e envolveu pesquisadores da Unicamp, Unesp e da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb).

Irradiação solar

Os testes realizados em pequenas escalas, no laboratório, no âmbito da pesquisa orientada pela professora Cláudia Longo, mostraram resultados animadores em relação à eliminação justamente desse tipo de substância da água. Os primeiros experimentos foram realizados sob irradiação solar direta; posteriormente, os pesquisadores utilizaram um simulador solar, eficiente e de baixo custo, com intensidade semelhante à obtida sob o sol do meio dia e que permite o controle de temperatura e intensidade da radiação. Recentemente, adquiriu-se também um simulador solar de maior porte para possibilitar o estudo em maior escala. Com esse simulador foi possível medir a eficiência e a durabilidade do sistema de purificação de água, que tem atuado de maneira reprodutível e com longa durabilidade.
Esse estudo foi realizado com eletrodos de TiO2 com 9 cm² para tratamento de 10mL de água contendo 50 mg/L de fenol. O fenol, considerado um poluente persistente, pode estar presente nos efluentes de diversas indústrias e apresenta vários efeitos nocivos à saúde. Os resultados encontrados revelaram a degradação de 78% do fenol após três horas sob irradiação no simulador solar; após seis horas, mais de 90% do poluente foi mineralizado. Resultados animadores também foram encontrados no sistema com eletrodos de 35cm² para tratamento de 70 mL de solução e, recentemente, para 0,5 L, em fluxo. As substâncias investigadas incluem, além do fenol, o corante Rodamina 6G (utilizado na indústria têxtil) e os fármacos paracetamol e estradiol.
O sistema também tem grande potencial para desinfecção de água contaminada por bactérias. Já foi estabelecida uma colaboração com o professor José Roberto Guimarães, do Departamento de Saneamento e Ambiente da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) da Unicamp, e espera-se que novos estudantes integrem o grupo para desenvolver o projeto.

Benefícios

Com a possibilidade de ampliação dos testes e aperfeiçoamento do sistema, o trabalho pode ter aplicação na etapa final do tratamento de efluentes, tendo como alvo estações de tratamento de efluentes de indústrias têxteis, de papel e celulose, petroquímicas e de agrotóxicos, por exemplo, bem como companhias de água e esgoto e estações de tratamento de efluentes em shopping centers, entre outros. Cláudia ressalta ainda que o sistema aperfeiçoado também pode ser utilizado para purificação de água em comunidades afastadas, não atendidas pelo serviço básico de saneamento, eliminando contaminantes resistentes a tratamentos convencionais.
Outra vantagem do sistema é o fato de ser autossuficiente do ponto de vista energético, devido à utilização de radiação solar. Baixo custo e o fato de ser sustentável (não é poluente, não exige adição de insumos e não gera resíduos) completam a relação.
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■ Publicação
Projeto: “Sistema para purificação de água que utiliza energia solar e eletrodo de TiO2 nanocristalino para destruir poluentes” 
Coordenação: Cláudia Longo 
Coautor: Haroldo Gregório de Oliveira 
Financiamento: Fapesp, CNPq e Capes

Em setembro, sistema DETER do INPE registra 253,8 km² de alertas de desmatamento e degradação na Amazônia

do INPE 



O DETER, sistema de detecção do desmatamento em tempo real do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), identificou 253,8 km² de áreas de alerta de novos casos de desmatamento e degradação na Amazônia em setembro de 2011. A distribuição das áreas de alerta nos estados da Amazônia Legal é apresentada na tabela a seguir:
Mato Grosso
110,8 km²
Rondônia
49,9 km²
Pará
46,9 km²
Amazonas
27,7 km²
Acre
6,1 km²
Maranhão
7,7 km²
Roraima
2,5 km²
Tocantins
2,2 km²
TOTAL
253,8 km²


No mapa abaixo os pontos amarelos mostram a localização dos alertas emitidos pelo DETER. Os locais não monitorados devido à cobertura de nuvens são mostrados em rosa. Em setembro de 2011, apenas 5% da Amazônia não foram observados. 
O sistema DETER produz alertas diários sobre o desmatamento na Amazônia que servem para orientar a fiscalização e garantir ações eficazes de controle da derrubada da floresta. O sucesso do uso desse sistema de alerta pode ser comprovado pelos resultados anuais do PRODES (sistema do INPE que mapeia o corte da floresta em detalhe) que desde o início da operação do DETER vem registrando o desmatamento em expressiva queda.
Cada um dos sistemas do INPE possui características próprias e diferentes finalidades: enquanto a taxa de desmatamento é medida anualmente pelo PRODES, as áreas indicadas como alertas de desmatamento pelo DETER podem ser rapidamente verificadas pelos órgãos de fiscalização e, assim, o sistema contribui para a conservação da floresta. Outra diferença importante diz respeito à escala observada, pois o DETER não capta pequenos desmatamentos.


Alerta 


Em operação desde 2004, o DETER é um sistema de alerta para suporte à fiscalização e controle de desmatamento. Embora os dados sejam divulgados em relatórios mensais ou bimestrais, os resultados do DETER são enviados diariamente ao Ibama, responsável por fiscalizar as áreas de alerta.
Em função da cobertura de nuvens variável de um mês para outro e, também, da resolução dos satélites, o INPE não recomenda a comparação entre dados de diferentes meses e anos obtidos pelo DETER.
O DETER utiliza imagens do sensor Modis do satélite Terra, com resolução espacial de 250 metros, que possibilitam detectar polígonos de desmatamento com área maior que 25 hectares. Nem todos os desmatamentos são identificados devido à eventual cobertura de nuvens. 
A menor resolução dos sensores usados pelo DETER é compensada pela capacidade de observação diária, que torna o sistema uma ferramenta ideal para informar rapidamente aos órgãos de fiscalização sobre novos desmatamentos.
Este sistema registra tanto áreas de corte raso, quando os satélites detectam a completa retirada da floresta nativa, quanto áreas classificadas como degradação progressiva, que revelam o processo de desmatamento na região. 
Os números apontados pelo DETER são importantes indicadores para os órgãos de controle e fiscalização. No entanto, para computar a taxa anual do desmatamento por corte raso na Amazônia, o INPE utiliza o PRODES (www.obt.inpe.br/prodes), que trabalha com imagens de melhor resolução espacial capazes de mostrar também os pequenos desmatamentos.

A cada divulgação sobre o sistema de alerta DETER, o INPE apresenta também um relatório de avaliação amostral dos dados. Os relatórios, assim como todos os dados relativos ao DETER, são públicos e podem ser consultados em www.obt.inpe.br/deter