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sexta-feira, 24 de junho de 2011
COPPE DESENVOLVE SISTEMA DE CONTENÇÃO
CAOS PODERÁ TOMAR CONTA DA SAÚDE
Saúde poderá se transformar num caos em 627 Municípios do país
| Leonardo Santana Presidente da UBAM |
A UBAM exige do ministério da Saúde novo prazo para que os Municípios regularizem o CNPJ do Fundo Municipal de Saúde, e não sejam suspensos os recursos da saúde pública
O presidente da União Brasileira de Municípios (UBAM), Leonardo Santana, considerou arbitrário o anúncio feito pelo Ministério da Saúde de suspender a transferência de recursos para os Municípios que ainda não possuem o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) próprio do Fundo Municipal de Saúde. E considerou a data limite muito próxima, tendo em vista que há muitas responsabilidades que demandam tempo para serem cumpridas. Ele reagiu ao tratamento dispensado por todo o governo da União que, segundo ele, acha que os Municípios são pequenos departamentos subordinados ao governo federal.
“O governo da União precisa entender que os Municípios são os mais importantes entes da federação e os Prefeitos e Prefeitas são as maiores autoridades desse país. É preciso respeito e tratamento institucional de qualidade e com isonomia. Os Estados não são tratados assim”. Protestou ele.
A reação do presidente da UBAM é motivada pela forma como são conduzidos os assuntos relativos aos Municípios. Pois, segundo ele, os principais setores do governo já chegam com ameaça de corte de verbas, ações de improbidade, adiamento de liberação de emendas e suspensão de transferências constitucionais. Para completar, o Ministério da Saúde anunciou que a partir do dia 30 de junho todas as transferências de recursos federais serão suspensas, sem sequer pesar a situação da população que enfrenta um grave problema na saúde pública que é gerida pelo governo da União com certa incompetência e morosidade.
A UBAM estima que pelo menos 627 Municípios de todo país estejam sem o registro do Fundo Municipal de Saúde no CNPJ. Por isso os prefeitos devem enfrentar muitos problemas para equacionar a gestão da Saúde nos seus Municípios. Com isso, perdem os gestores e a população ficará desassistida. Sem atendimento e sem medicamentos.
Saúde é um dever do Estado e não pode parar sob nenhuma hipótese
O presidente da UBAM, Leonardo Santana, disse que essa decisão pode afetar milhares de pessoas que já dispõem de um serviço de saúde totalmente deficitário, devido à concentração de recursos patrocinada pelo governo da União. Embora que a suspensão de recursos tenha amparo na Lei 8.142/1990, Leonardo considera que a referida lei deve se revista e essas decisões devem ser comunicadas ao Conselho Nacional de Saúde (CNS), para que haja manifestação do mesmo.
O presidente da UBAM, Leonardo Santana, disse que essa decisão pode afetar milhares de pessoas que já dispõem de um serviço de saúde totalmente deficitário, devido à concentração de recursos patrocinada pelo governo da União. Embora que a suspensão de recursos tenha amparo na Lei 8.142/1990, Leonardo considera que a referida lei deve se revista e essas decisões devem ser comunicadas ao Conselho Nacional de Saúde (CNS), para que haja manifestação do mesmo.
Leonardo informou que para regularizar a situação, os Prefeitos devem institui o Fundo Municipal de Saúde, através de lei municipal e cadastrá-lo no CNPJ.
Jornalista Gilcivane Carvalho
POR UM RIO MAIS LIMPO
Comlurb incentiva carioca a manter o Rio mais limpo
Do Correio do Brasil
Redação, com Agência Rio de Notícias - do Rio de Janeiro
Este sábado será um dia de muita atividade para a Comlurb no Rio, principalmente para o grupo musical Chegando de Surpresa, o grupo de teatro Porta Aberta, o gari Renato Sorriso e o personagem SuperGari.
Eles participarão de diversos eventos na cidade, dentro da programação educativa que estimula os cariocas a manter a cidade mais limpa, indo desde a Cruzada do Menor, em Del Castilho; Fiocruz, em Manguinhos; Morro do Borel, na Tijuca, na Zona Norte; até o Conjunto Habitacional do Tingui e a Comunidade do Areal, ambos na Zona Oeste.
Em Del Castilho, a partir das 9h, o grupo de teatro Porta Aberta apresenta a peça Sujogro no Reino da Limpezolândia, na Cruzada do Menor, na Av. Pastor Martin Luther King Jr., 126. Também no sábado, às 10h, o Chegando de Surpresa, o gari Renato Sorriso e o SuperGari estarão no evento Fiocruz para Você, no campus de Manguinhos, que acontece simultaneamente à primeira fase da campanha contra a paralisia infantil. As crianças se divertirão com músicas e jogos interativos, além de aprender como é importante jogar o lixo no lugar certo.
O SuperGari, o gari Sorriso e o Chegando de Surpresa também são convidados especiais da comemoração de um ano de instalação da UPP – Unidade de Polícia Pacificadora na comunidade do Borel, na Tijuca. Será neste sábado, dia 18, às 14h, no CIEP Dr. Antoine Magarinos Torres Filho, onde haverá ação educativa para alunos e moradores.
Além disso, a Comlurb também estará na Ação Social da Subprefeitura da Zona Oeste, em Campo Grande, no Conjunto Habitacional Tingui, na Estrada do Tingui, 3.400. Os moradores serão orientados sobre os serviços da Companhia, principalmente o controle de roedores e caramujos africanos.
Numa parceria da Comlurb com a Secretaria Municipal de Habitação, o trabalho de orientação também será levado à comunidade do Areal, em Guaratiba, neste sábado, entre 8h e 17h, no campo do Flama, que terá atividades lúdicas sobre limpeza urbana e educação ambiental.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
ESPÉCIES MARINHAS A CAMINHO DA EXTINÇÃO
Especialistas marinhos alertam para a extinção em massa nos mares
Da BBC com Naturlink
Ana Ganhão
Segundo um estudo sobre os oceanos do mundo, os peixes, tubarões, baleias e outras espécies marinhas estão no perigo iminente de uma catastrófica extinção e estão a desaparecer a um ritmo muito mais rápido do que o previsto.
Os investigadores afirmam que a extinção será “inevitável” se as tendências actuais continuarem.
O QUE PREOCUPA
Ninguém parece ficar incomodado
Fico com vergonha desses episódios de corrupção, assassinatos de ambientalistas e descaso com a saúde, com a educação e tantas outras indecências que ocorrem com uma assustadora e regular frequência em nosso país, em nossas cidades. E fico constrangido também com a nossa apatia. Estamos todos encolhidos. Ninguém parece ficar incomodado. É uma vergonha que ninguém consegue tirar de mim.
terça-feira, 21 de junho de 2011
AQUECIMENTO GLOBAL
Redução de ozônio e metano facilita o combate contra o aquecimento global, afirma PNUMA
Metano favorece o derretimento das geleiras/Foto: PasKulo
Para combater o aquecimento global, um estudo divulgado na terça-feira, 14 de junho, pelo Pnuma ( Progama das Nações Unidas para o Meio Ambiente) informou que a redução das emissões de ozônio e de metano poderão frear a elevação da temperatura global, promovida principalmente pelo dióxido de carbono na atmosfera.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
TODA FLORA AMAZÔNICA
Reflora: projeto vai reunir flora amazônica em banco de dados Espécies da flora amazônica estarão disponíveis em banco de dados (Foto: Ulysses Varela) Com FAPEAM Agora será possível conhecer virtualmente toda a flora amazônica. Quem garante é o doutor em Biologia, Michael John Gilbert Hopkin, coordenador do projeto ‘Integração, qualificação e disponibilização dos dados relacionados a coletas botânicas na Amazônia Brasileira’, cujo objetivo é atualizar as informações dos herbários amazônicos, visando à criação de um banco de dados sobre a flora de cada Estado de nossa região. |
EURO-BRASILEIROS ENCONTRAM EXOPLANETAS
Equipe com brasileiros descobre dez exoplanetas
Grupo euro-brasileiro encontra planeta orbitando estrela jovem e “Jupíteres quentes”
Isis Nóbile Diniz
Pesquisa FAPESP
| © ESA |
| Ilustração do planeta CoRoT-7b descoberto com ajuda dos pesquisadores brasileiros |
Existe vida fora da Terra? Uma pista para a reposta ganha ânimo quando se encontram planetas semelhantes ao nosso.
Porém, interessantes descobertas também são realizadas durante a busca, como é o caso dos dez exoplanetas anunciados nesta terça-feira (14 de junho). As novidades são um corpo orbitando uma estrela muito jovem e os “Jupíteres quentes”, gigantes gasosos muito próximos de suas estrelas, extraordinariamente densos ou com órbitas excepcionalmente excêntricas por serem alongadas.
ESPERANÇA PARA PARAPLÉGICOS
Proteína pode ajudar a recuperar o movimento
dos paraplégicos
Débora Motta
| Divulgação |
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| Regeneração do sistema nervoso: um neurônio cresce sobre um substrato de laminina polimerizada |
Uma proteína produzida naturalmente pelo corpo pode, no futuro, ser a chave para a recuperação dos movimentos das pessoas paraplégicas. Trata-se da laminina. Ela é a base de uma pesquisa de ponta coordenada pela professora Tatiana Coelho Sampaio, no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ICB/UFRJ).
À frente da equipe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, a bióloga vem testando os efeitos da aplicação da laminina em animais paraplégicos – e adianta que, se tudo der certo, a próxima etapa será a realização de testes com a proteína em humanos que perderam os movimentos.
Quando injetada diretamente na medula lesionada, a substância mostrou-se capaz de restabelecer a comunicação perdida entre células do sistema nervoso, necessária para a movimentação dos braços e das pernas.
PROTOCOLO DE QUIOTO
UE estuda estender sozinha o Protocolo de Quioto
por Fabiano Ávila, do CarbonoBrasil
Pela primeira vez o bloco estaria considerando dar continuidade ao tratado, que termina em dezembro de 2012, mesmo sem a participação dos Estados Unidos e com o abandono de outros países desenvolvidos, como Japão e Canadá.
Uma mudança na postura da União Européia (UE) trouxe esperança para a rodada de negociações climáticas das Nações Unidas que está sendo realizada na cidade alemã de Bonn.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
O QUE SERÁ DE NOS SEM A AMAZÔNIA
O que será de nós sem a floresta?
por Redação do IHU On-Line
“Por causa do projeto Complexo Tapajós, calcula-se que 120 mil hectares de florestas serão excluídos das unidades de conservação”, afirma o diretor da Rádio Rural de Santarém-PA, Edilberto Sena.
A situação da Amazônia é crítica. A construção de diversos complexos hidrelétricos aponta para uma perspectiva terrível em relação à sobrevivência da floresta. Nesta entrevista, concedida à IHU On-Linepor telefone, Edilberto Sena fala sobre a situação do Rio Tapajós. O projeto inicial do governo federal prevê a construção de cinco hidrelétricas ao longo do Rio. No entanto, segundo Sena, esta quantidade pode aumentar para 15. “O governo continua obstinado em tornar o Brasil a quinta economia mais rica do planeta. No entanto, faz isto à custa dos povos e das riquezas da Amazônia”, disse.Há divergências no projeto em relação às projeções feitas pelo ex-presidente Lula e pela ações da presidente Dilma. “O presidente Lula anunciou que seriam criadas 14 unidades de conservação ao longo da BR-163, como forma de proteger a floresta que ainda existe.
O que será de nós sem a floresta?
por Redação do IHU On-Line
“Por causa do projeto Complexo Tapajós, calcula-se que 120 mil hectares de florestas serão excluídos das unidades de conservação”, afirma o diretor da Rádio Rural de Santarém-PA, Edilberto Sena.
A situação da Amazônia é crítica. A construção de diversos complexos hidrelétricos aponta para uma perspectiva terrível em relação à sobrevivência da floresta. Nesta entrevista, concedida à IHU On-Linepor telefone, Edilberto Sena fala sobre a situação do Rio Tapajós. O projeto inicial do governo federal prevê a construção de cinco hidrelétricas ao longo do Rio. No entanto, segundo Sena, esta quantidade pode aumentar para 15. “O governo continua obstinado em tornar o Brasil a quinta economia mais rica do planeta. No entanto, faz isto à custa dos povos e das riquezas da Amazônia”, disse.Há divergências no projeto em relação às projeções feitas pelo ex-presidente Lula e pela ações da presidente Dilma. “O presidente Lula anunciou que seriam criadas 14 unidades de conservação ao longo da BR-163, como forma de proteger a floresta que ainda existe. Agora, por causa do Complexo Tapajós, calcula-se que outros 120 mil hectares de florestas serão excluídos das unidades de conservação. Isso será feito para atender às inundações de florestas que acontecerão com os lagos que vão surgir após a construção das barragens”, explicou.
Edilberto Sena, padre, é coordenador da Rádio Rural AM de Santarém-PA e membro da Frente em Defesa da Amazônia(FDA).
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Que novos cenários se apresentam para o Tapajós?
Edilberto Sena – Hoje, há pelo menos três cenários novos em relação ao Complexo Tapajós. Primeiro, o governo continua obstinado em tornar o Brasil a quinta economia mais rica do planeta. No entanto, faz isso à custa dos povos e das riquezas da Amazônia. Por exemplo, o projeto original do Complexo Tapajós prevê apenas cinco hidrelétricas. Porém, os planos do governo estão mudando e já se fala em até 15 hidrelétricas.
O segundo cenário mostra que o novo projeto quer diminuir as unidades de conservação criadas antes e durante o governo Lula para implementar as usinas hidrelétricas. O então presidente Lula anunciou que seriam criadas 14 unidades de conservação ao longo da BR-163, como forma de proteger a floresta que ainda existe. Agora, por causa do projeto Complexo Tapajós, calcula-se que outros 120 mil hectares de florestas serão excluídos das unidades de conservação. Isso será feito para atender às inundações de florestas que acontecerão com os lagos que vão surgir após a construção das barragens. Para se ter uma ideia, no Parque Nacional da Amazônia, cerca de dez mil hectares de florestas desaparecerão.
O terceiro cenário novo é formado por nós, os que lutam em defesa da dignidade do povo amazônico. A população está cada vez mais consciente e atenta ao problema das hidrelétricas. No entanto, só despertamos para este desastre há quatro anos. Enquanto isso, a Eletronorte vinha trabalhando silenciosamente desde 1995 nos estudos de viabilidade do Complexo Tapajós.
Há quatro anos estamos procurando desenvolver a sensibilização da população. Para isto, criamos uma cartilha, promovemos seminários. Há dois anos, construímos a Aliança Tapajós Vivo, que é formada por 25 grupos e entidades que trabalham unidos na defesa da soberania do povo desta região. Os índios da etnia munduruku tiveram dois encontros com a nossa militância e também estão firmes na defesa da sua região. Eles compreenderam que fazer hidrelétricas é mexer com a sua sobrevivência, pois essas obras vão alterar a lógica da vida do rio e da floresta.
No último encontro que realizamos, os caciques munduruku escreveram: “Nós decidimos nunca aceitar as desgraças das hidrelétricas. Se o governo não desistir do seu plano de barragens, nós vamos enfrentar com os nossos guerreiros. Iremos de canoa, remando, para enfrentar os nossos inimigos, não será longe porque sempre andamos assim. Se o governo não desistir do seu plano de barragens, não vamos parar de lutar contra elas”.
IHU On-Line – Alguma nova medida por parte do governo aconteceu nesses últimos meses?
Edilberto Sena – O governo está encalacrado com a situação de Belo Monte e Jirau. Portanto, nesse momento, o Complexo Tapajós não é prioridade nas discussões “oficiais”. O que se tem de mais novo é a ideia de que a presidente Dilma vai, nos próximos dias, fazer um decreto diminuindo as unidades de conservação.
IHU On-Line – Em relação a esses projetos na Amazônia, foi possível sentir alguma diferença entre a posição do governo Lula e a posição de agora (governo Dilma)?
Edilberto Sena – Lutei 20 anos junto com tantas pessoas para eleger o presidente Lula. Hoje sinto que fomos iludidos pela ideia de que ele, no governo, priorizaria o social e não o econômico. O sonho começou a desmoronar quando ele mentiu para nós e foi fiel aos banqueiros e às grandes empresas.
A diferença que eu vejo entre o estilo do governo Lula e o estilo do governo Dilma é que o Lula conquistou o povo com seu jeito popular, com sua facilidade de conversar, de contar piadas, de cometer gafes engraçadas. Com esse jogo de cintura, ele falou para D. Erwin, o bispo do Xingu: “Não enfiaremos goela abaixo a usina de Belo Monte”. No entanto, um mês depois ele estava metendo o projeto “tripa abaixo”.
A presidente Dilma não tem esse jogo de cintura, ela é “pesadona” – física e politicamente. Dilma acha que pode empurrar não apenas goela abaixo, mas também esmagar as populações amazônicas. Penso que precisamos preparar a nossa população para fazer uma resistência firme. Até porque não podemos viver só de diálogo e pressão.
IHU On-Line – Como está a luta contra a construção das hidrelétricas aí na região?
Edilberto Sena – No momento, estamos trabalhando com aliados. Alguns são daqui da região e outros são de fora. Por exemplo, os índios munduruku são os mais atentos ao problema. A comunidade de Jacareacanga já tem um grupo interessado em se juntar à aliança. Na cidade de Itaituba tem um grupo que está trabalhando nossos discursos perante as sustentações do governo.
A Campanha da Fraternidade da Igreja Católica veio ajudar a nossa luta. Os padres nas suas Igrejas estão falando da importância da Amazônia, estão discutindo sobre o futuro do planeta. As escolas telefonam nos convidando para discutir sobre as hidrelétricas com os jovens…
IHU On-Line – Podemos dizer que há uma apatia da sociedade brasileira em relação ao debate sobre a construção das usinas hidrelétricas?
Edilberto Sena – Existe, sim, e por dois motivos. Primeiro, 80% da população brasileira vive lutando pela barriga, para arranjar comida, para sustentar a família e garantir emprego, escola e saúde. Esta população não tem tempo para pensar nas consequências da instalação desse Complexo. Os outros 20% são os oportunistas que estão olhando para a Amazônia e vendo apenas o lucro.
A ex-governadora do Pará, para nossa tristeza, abriu a boca em São Paulo para dizer que o Estado necessita de mais hidrelétricas. Este tipo de “informação bandida” acaba sensibilizando uma parte da população. E, pior, acaba caracterizando os movimentos sociais como “antidesenvolvimentistas”, como se nós não quiséssemos a melhoria do Brasil. Os políticos falam como se existissem dois “Brasis”: um dos lados é formado pelas regiões Sul e Sudeste, que enxerga a Amazônia como sua colônia, e no outro lado estamos nós. O governo vive mentindo ao afirmar que o país precisa de mais energia e que, por isso, precisa construir hidrelétricas na Amazônia.
Depois da rebelião que houve no canteiro de obras de Jirau, vários trabalhadores voltaram ao Pará. Na paróquia em que trabalho, entrevistei alguns desses trabalhadores e eles contaram que, de fato, a rebelião foi motivada porque as empresas estavam massacrando os funcionários, tratando-os como escravos. Não pagavam hora extra. Isto revela que a população do Pará está carente de qualidade de vida e de emprego. É por isso que qualquer emprego está ótimo. Este é o raciocínio da maioria da população, e o governo explora o trabalhador a partir deste fato.
Alguns trabalhadores de Jirau são daqui, o que é um sinal de que o Pará tem carência de emprego. Com isso, o pessoal vai para longe em busca de trabalho. A experiência deles com aquela rebelião foi um mal que trouxe o bem. Isso porque foi um aviso de que o que estava acontecendo em Jirau vai acontecer no Tapajós. O problema foi um instrumento para a educação.
IHU On-Line – Como é a região que vai ser afetada pelo sacrifício de 140 mil hectares de Floresta Amazônica?
Edilberto Sena – Nossa região já está tremendamente afetada pelo agronegócio. Só na região de Santarém, 25 mil hectares de lotes da agricultura familiar foram vendidos para o agronegócio. Evidentemente, com isso florestas foram destruídas. Eu escrevi uma matéria sobre como a moratória da soja foi uma farsa e sobre como a destruição continua acontecendo. Agora, outra avalanche de destruição está por vir: com a construção do complexo hidrelétrico, 140 mil hectares de floresta serão alagados. Isso prejudicará o equilíbrio climático da região e a cultura do nosso povo. Além disso, o alagamento vai permitir que a produção de dióxido de carbono aumente, porque estas árvores serão afogadas. A expulsão dos moradores que vivem ao longo do rio também é outra consequência desse alagamento.
É um absurdo uma pessoa, a presidente da República, que foi de esquerda, chega agora e implacavelmente decide o que tem que ser feito na Amazônia. O que será de nós se estes 140 mil hectares de floresta forem destruídos? A nossa vida amazônica depende da floresta e dos rios. É uma violação tremenda o governo transformar os rios em mercadoria para agradar às grandes indústrias.
* Publicado originalmente no site IHU On-Line.
O que será de nós sem a floresta?
por Redação do IHU On-Line
“Por causa do projeto Complexo Tapajós, calcula-se que 120 mil hectares de florestas serão excluídos das unidades de conservação”, afirma o diretor da Rádio Rural de Santarém-PA, Edilberto Sena.
A situação da Amazônia é crítica. A construção de diversos complexos hidrelétricos aponta para uma perspectiva terrível em relação à sobrevivência da floresta. Nesta entrevista, concedida à IHU On-Linepor telefone, Edilberto Sena fala sobre a situação do Rio Tapajós. O projeto inicial do governo federal prevê a construção de cinco hidrelétricas ao longo do Rio. No entanto, segundo Sena, esta quantidade pode aumentar para 15. “O governo continua obstinado em tornar o Brasil a quinta economia mais rica do planeta. No entanto, faz isto à custa dos povos e das riquezas da Amazônia”, disse.Há divergências no projeto em relação às projeções feitas pelo ex-presidente Lula e pela ações da presidente Dilma. “O presidente Lula anunciou que seriam criadas 14 unidades de conservação ao longo da BR-163, como forma de proteger a floresta que ainda existe. Agora, por causa do Complexo Tapajós, calcula-se que outros 120 mil hectares de florestas serão excluídos das unidades de conservação. Isso será feito para atender às inundações de florestas que acontecerão com os lagos que vão surgir após a construção das barragens”, explicou.
Edilberto Sena, padre, é coordenador da Rádio Rural AM de Santarém-PA e membro da Frente em Defesa da Amazônia(FDA).
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Que novos cenários se apresentam para o Tapajós?
Edilberto Sena – Hoje, há pelo menos três cenários novos em relação ao Complexo Tapajós. Primeiro, o governo continua obstinado em tornar o Brasil a quinta economia mais rica do planeta. No entanto, faz isso à custa dos povos e das riquezas da Amazônia. Por exemplo, o projeto original do Complexo Tapajós prevê apenas cinco hidrelétricas. Porém, os planos do governo estão mudando e já se fala em até 15 hidrelétricas.
O segundo cenário mostra que o novo projeto quer diminuir as unidades de conservação criadas antes e durante o governo Lula para implementar as usinas hidrelétricas. O então presidente Lula anunciou que seriam criadas 14 unidades de conservação ao longo da BR-163, como forma de proteger a floresta que ainda existe. Agora, por causa do projeto Complexo Tapajós, calcula-se que outros 120 mil hectares de florestas serão excluídos das unidades de conservação. Isso será feito para atender às inundações de florestas que acontecerão com os lagos que vão surgir após a construção das barragens. Para se ter uma ideia, no Parque Nacional da Amazônia, cerca de dez mil hectares de florestas desaparecerão.
O terceiro cenário novo é formado por nós, os que lutam em defesa da dignidade do povo amazônico. A população está cada vez mais consciente e atenta ao problema das hidrelétricas. No entanto, só despertamos para este desastre há quatro anos. Enquanto isso, a Eletronorte vinha trabalhando silenciosamente desde 1995 nos estudos de viabilidade do Complexo Tapajós.
Há quatro anos estamos procurando desenvolver a sensibilização da população. Para isto, criamos uma cartilha, promovemos seminários. Há dois anos, construímos a Aliança Tapajós Vivo, que é formada por 25 grupos e entidades que trabalham unidos na defesa da soberania do povo desta região. Os índios da etnia munduruku tiveram dois encontros com a nossa militância e também estão firmes na defesa da sua região. Eles compreenderam que fazer hidrelétricas é mexer com a sua sobrevivência, pois essas obras vão alterar a lógica da vida do rio e da floresta.
No último encontro que realizamos, os caciques munduruku escreveram: “Nós decidimos nunca aceitar as desgraças das hidrelétricas. Se o governo não desistir do seu plano de barragens, nós vamos enfrentar com os nossos guerreiros. Iremos de canoa, remando, para enfrentar os nossos inimigos, não será longe porque sempre andamos assim. Se o governo não desistir do seu plano de barragens, não vamos parar de lutar contra elas”.
IHU On-Line – Alguma nova medida por parte do governo aconteceu nesses últimos meses?
Edilberto Sena – O governo está encalacrado com a situação de Belo Monte e Jirau. Portanto, nesse momento, o Complexo Tapajós não é prioridade nas discussões “oficiais”. O que se tem de mais novo é a ideia de que a presidente Dilma vai, nos próximos dias, fazer um decreto diminuindo as unidades de conservação.
IHU On-Line – Em relação a esses projetos na Amazônia, foi possível sentir alguma diferença entre a posição do governo Lula e a posição de agora (governo Dilma)?
Edilberto Sena – Lutei 20 anos junto com tantas pessoas para eleger o presidente Lula. Hoje sinto que fomos iludidos pela ideia de que ele, no governo, priorizaria o social e não o econômico. O sonho começou a desmoronar quando ele mentiu para nós e foi fiel aos banqueiros e às grandes empresas.
A diferença que eu vejo entre o estilo do governo Lula e o estilo do governo Dilma é que o Lula conquistou o povo com seu jeito popular, com sua facilidade de conversar, de contar piadas, de cometer gafes engraçadas. Com esse jogo de cintura, ele falou para D. Erwin, o bispo do Xingu: “Não enfiaremos goela abaixo a usina de Belo Monte”. No entanto, um mês depois ele estava metendo o projeto “tripa abaixo”.
A presidente Dilma não tem esse jogo de cintura, ela é “pesadona” – física e politicamente. Dilma acha que pode empurrar não apenas goela abaixo, mas também esmagar as populações amazônicas. Penso que precisamos preparar a nossa população para fazer uma resistência firme. Até porque não podemos viver só de diálogo e pressão.
IHU On-Line – Como está a luta contra a construção das hidrelétricas aí na região?
Edilberto Sena – No momento, estamos trabalhando com aliados. Alguns são daqui da região e outros são de fora. Por exemplo, os índios munduruku são os mais atentos ao problema. A comunidade de Jacareacanga já tem um grupo interessado em se juntar à aliança. Na cidade de Itaituba tem um grupo que está trabalhando nossos discursos perante as sustentações do governo.
A Campanha da Fraternidade da Igreja Católica veio ajudar a nossa luta. Os padres nas suas Igrejas estão falando da importância da Amazônia, estão discutindo sobre o futuro do planeta. As escolas telefonam nos convidando para discutir sobre as hidrelétricas com os jovens…
IHU On-Line – Podemos dizer que há uma apatia da sociedade brasileira em relação ao debate sobre a construção das usinas hidrelétricas?
Edilberto Sena – Existe, sim, e por dois motivos. Primeiro, 80% da população brasileira vive lutando pela barriga, para arranjar comida, para sustentar a família e garantir emprego, escola e saúde. Esta população não tem tempo para pensar nas consequências da instalação desse Complexo. Os outros 20% são os oportunistas que estão olhando para a Amazônia e vendo apenas o lucro.
A ex-governadora do Pará, para nossa tristeza, abriu a boca em São Paulo para dizer que o Estado necessita de mais hidrelétricas. Este tipo de “informação bandida” acaba sensibilizando uma parte da população. E, pior, acaba caracterizando os movimentos sociais como “antidesenvolvimentistas”, como se nós não quiséssemos a melhoria do Brasil. Os políticos falam como se existissem dois “Brasis”: um dos lados é formado pelas regiões Sul e Sudeste, que enxerga a Amazônia como sua colônia, e no outro lado estamos nós. O governo vive mentindo ao afirmar que o país precisa de mais energia e que, por isso, precisa construir hidrelétricas na Amazônia.
Depois da rebelião que houve no canteiro de obras de Jirau, vários trabalhadores voltaram ao Pará. Na paróquia em que trabalho, entrevistei alguns desses trabalhadores e eles contaram que, de fato, a rebelião foi motivada porque as empresas estavam massacrando os funcionários, tratando-os como escravos. Não pagavam hora extra. Isto revela que a população do Pará está carente de qualidade de vida e de emprego. É por isso que qualquer emprego está ótimo. Este é o raciocínio da maioria da população, e o governo explora o trabalhador a partir deste fato.
Alguns trabalhadores de Jirau são daqui, o que é um sinal de que o Pará tem carência de emprego. Com isso, o pessoal vai para longe em busca de trabalho. A experiência deles com aquela rebelião foi um mal que trouxe o bem. Isso porque foi um aviso de que o que estava acontecendo em Jirau vai acontecer no Tapajós. O problema foi um instrumento para a educação.
IHU On-Line – Como é a região que vai ser afetada pelo sacrifício de 140 mil hectares de Floresta Amazônica?
Edilberto Sena – Nossa região já está tremendamente afetada pelo agronegócio. Só na região de Santarém, 25 mil hectares de lotes da agricultura familiar foram vendidos para o agronegócio. Evidentemente, com isso florestas foram destruídas. Eu escrevi uma matéria sobre como a moratória da soja foi uma farsa e sobre como a destruição continua acontecendo. Agora, outra avalanche de destruição está por vir: com a construção do complexo hidrelétrico, 140 mil hectares de floresta serão alagados. Isso prejudicará o equilíbrio climático da região e a cultura do nosso povo. Além disso, o alagamento vai permitir que a produção de dióxido de carbono aumente, porque estas árvores serão afogadas. A expulsão dos moradores que vivem ao longo do rio também é outra consequência desse alagamento.
É um absurdo uma pessoa, a presidente da República, que foi de esquerda, chega agora e implacavelmente decide o que tem que ser feito na Amazônia. O que será de nós se estes 140 mil hectares de floresta forem destruídos? A nossa vida amazônica depende da floresta e dos rios. É uma violação tremenda o governo transformar os rios em mercadoria para agradar às grandes indústrias.
* Publicado originalmente no site IHU On-Line.
(IHU On-Line)
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