segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Expansão da Ferrovia da Vale no Maranhão gera protesto

Moradores de uma comunidade no interior do Maranhão, situada entre o pólo siderúrgico de Açailândia e a estrada de ferro da mineradora Vale, interditaram nesta quarta-feira (07/12) a rodovia que leva à capital do estado. Com reclamações de doenças nos pulmões, na pele, nos olhos, dores de cabeça e até casos de câncer, mais de mil pessoas pedem a agilidade do governo para serem reassentadas e indenizadas. 
O estopim da revolta no Maranhão, segundo comunicado da Justiça Nos Trilhos, organização membro da Plataforma BNDES, foi uma decisão do Tribunal de Justiça que suspendeu provisoriamente a desapropriação do terreno escolhido para abrigar as famílias, alegando ser área usada pela agropecuária. “Um julgamento está por acontecer e decidirá se a terra fica para 50 vacas, cujos donos têm muitas outras terras, ou se fica para nós, que somos mais de 1.100 pessoas e não temos opção”, disse um dos manifestantes à Justiça nos Trilhos. Ela informou que a demora em atender as reivindicações dos moradores de Açailândia já dura sete anos.
Em contraste, desde 2008, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)  autorizou 7,3 bilhões de reais em empréstimos para a companhia Vale, que planeja ampliar sua produção na região. Apesar de ser sócio da mineradora e ter poder de veto no conselho administrativo, o Banco não submete a companhia ao procedimento de análise de projetos, por considerá-la um cliente de alta prioridade.
Histórico

A história do Piquiá de Baixo, localizado as margens da BR 222 – Km 14,5, surgido em 1970  começou a mudar com o Grande Projeto dos Carajás, implantado na década de 1980, na construção de um grande pólo siderúrgico  instalado de um lado e a Estrada de Ferro de Carajás do outro. Desde então cerca de 350 famílias lutam por uma moradia digna.

Pesquisas realizadas em 55% dos domicílios do Piquiá, pelo Centro de Referências em Doenças Infecciosas e Parasitárias da Universidade Federal do Maranhão, e do Núcleo de Estudos em Medicina Tropical da Pré-Amazônia, revelam que 41,1% da população se queixam de doenças nos pulmões e na pele.

Manifestações ligadas ao aparelho respiratório (tosse, falta de ar e chiado no peito) foram queixas encontradas em todas as faixas etárias, inclusive com boa intensidade em menores de 9 anos de idade.

A cefaléia (dor de cabeça constante) foi encontrada em 61,2% dos pacientes, além da incidência de alergia, acometendo as vias aéreas superiores e olhos (coriza e lacrimejamento) que foram encontradas em 61,2% dos pacientes.

Os pesquisadores creditam essas doenças a alta poluição causadas pelas cinco siderúrgicas com fumaça e dejetos depositados no solo e na água da comunidade.

fonte- Plataformabndes.org.br/mst.org.br

VII FÓRUM BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL ABRE INSCRIÇÕES


O Fórum Brasileiro de Educação Ambiental é o mais importante evento da Educação Ambiental no país e a sua sétima edição acontecerá em Salvador, Bahia, entre os dias 28 e 31 de março de 2012 com a temática estratégica “Educação Ambiental: Rumo à Rio +20 e às Sociedades Sustentáveis”.

O VII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental traz visibilidade para a trajetória de conhecimentos, experiências e práticas de educação ambiental do Brasil. O evento abarca múltiplas vivências e oportunidades de diálogos na diversidade de todos os participantes. Nele pretende-se viabilizar a construção de uma sólida agenda de proposições da sociedade civil para a  Rio +20.

Um dos avanços previstos para o VII Fórum é associar e integrar pesquisas, metodologias, aplicação, processos e resultados de Educação Ambiental com o Tratado de Educação Ambiental para as Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Globale demais documentos referenciais de educação ambiental. Para os educadores brasileiros, será uma ótima oportunidade de se reconhecerem e validarem suas práticas como integrantes da rede planetária pelas sociedades sustentáveis.

Assim, o público do VII Fórum envolve educadores, professores, universitários, rede de ensino, empresas, pesquisadores, ambientalistas, povos e comunidades tradicionais, movimentos sociais, ONGs, associações comunitárias, empreendedores familiares, sindicatos, instituições públicas e privadas, formadores de opinião e interessados na área socioambiental, que estarão presentes nesse evento referência na Educação Ambiental.

O Tratado é o documento de princípios da REBEA – Rede Brasileira de Educação Ambiental e inspira a ação dos educadores ambientais articulados em rede. Entre os objetivos do VII Fórum está o de contextualizar sua efetividade e contribuir para avaliação e fortalecimento da Política Nacional de Educação Ambiental.

A ampla programação construída nas dimensões “ambiental, social, cultural, econômica e visão de mundo”, como formato de mesas redondas, fóruns, rodas de conversa, openspace, café social, minicursos, painéis, oficinas, jornadas temáticas, encontros paralelos, trilha da vida, atividades culturais, vídeos no Ecocine, poesias, artes, danças e com a produção de documentos que serão referência para atuação no campo socioambiental.

O Fórum é uma realização da Rede Brasileira de Educação (REBEA) e Rede Baiana de Educação Ambiental (REABA) tendo o Instituto Röerich da Paz e Cultura do Brasil como secretaria executiva.

Conheça detalhes da programação, inscrição dos trabalhos e orientações sobre os critérios de seleção e participação no site http://viiforumeducacaoambiental.org.br/

Contatos com a organização do evento: secretariaVIIforumea@taticcaeventos.com

Fonte: REBEA

sábado, 10 de dezembro de 2011

Tese investiga mudanças nos deslocamentos populacionais em países da América do Sul

Mãos destacando a América do Sul.
O tradicional fluxo de migrações – das áreas rurais para os grandes centros urbanos – há muito não corresponde aos modelos de mobilidade populacional que prevalecem atualmente no território brasileiro. A constatação de novo padrão nas trocas migratórias internas é uma das conclusões de tese defendida em novembro pelo geógrafo Fernando Gomes Braga, no programa de Pós-graduação em Demografia da UFMG. “O estudo do fenômeno migratório passa por um choque na própria estrutura conceitual”, afirma Braga, cuja tese, organizada na forma de artigos, propõe metodologia para análise da nova realidade.
Orientado pelo professor Dimitri Fazito de Almeida Rezende, o trabalho propõe o uso do arcabouço conceitual e metodológico de análise de redes para observar as regularidades nas trocas populacionais entre as microrregiões brasileiras e delas com os países do Cone Sul. “A pesquisa, assim, assume uma perspectiva relacional para compreender a evolução e a estruturação da migração no Brasil”, explica.
O primeiro dos três artigos que compõem a tese faz análise comparativa da migração interna brasileira, com base em dados dos censos de 1980, 1991 e 2000. O autor explica que, desde a década de 1970, vêm surgindo outros modelos de mobilidade populacional além da busca pelos grandes centros. Assim, outras localidades no interior do país têm ganhado notoriedade como polos de atração populacional, transformando-se em centros controladores de redes de alta densidade, o que indica aumento da coesão da rede urbana brasileira.
Fernando Braga também aponta para o surgimento de novo padrão de circularidade, com migrações mais dinâmicas. “Antes, o retorno migratório associava-se basicamente ao fracasso do migrante nas regiões metropolitanas. Hoje, esse tipo de movimento pode estar relacionado com o crescimento de atividades econômicas de caráter cíclico e à melhora dos meios de transporte, o que estimula as migrações de curto prazo”, explica.
Entre as categorias da análise de redes trabalhadas na tese estão a densidade dos fluxos, a reciprocidade das trocas populacionais e a centralidade. O trabalho mostra que o fenômeno migratório no Brasil passa por profundas modificações, refletidas diretamente na estruturação do território, que apresenta rede urbana em pleno processo de expansão, ampliando conexões entre os espaços anteriormente periferizados.
‘Transfronteira’
Ao estudar a migração internacional que envolve Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai, o segundo artigo identifica outro padrão de migrações, específico das regiões de fronteira. A pesquisa delimitou no território brasileiro as microrregiões que compõem o chamado espaço transfronteiriço, identificado a partir da aplicação de modelos de autocorrelação espacial, aplicados às taxas de migração internacional. A propósito, o trabalho discute a oposição e a complementaridade entre os conceitos de território e fronteira – sendo esta última o espaço onde vivem e interagem as comunidades transnacionais.
Segundo o autor, até meados do século 20 o Brasil era grande receptor de migrantes internacionais. Contudo, desde a década de 1980, e pela primeira vez na história, o saldo migratório internacional do país tornou-se negativo, com o envio de milhares de trabalhadores para nações como Estados Unidos e Japão. No caso das relações com seus vizinhos da América do Sul, o Brasil vem exercendo atração regional de mão de obra.
O terceiro artigo da tese apresenta, de forma inédita, metodologia para reconhecimento das sobreposições entre a migração interna e a internacional. “A bibliografia indica que os migrantes internacionais experimentam também mobilidade interna”, diz Braga, ao destacar que sua pesquisa revelou padrão de migração interna que articula as microrregiões com alta concentração de migrantes do Paraguai. “Trata-se de um padrão que difere da migração total do país, o que indica que essa população que circula entre os países fronteiriços também cria rede de trocas internas, seja no interior da fronteira, seja na articulação com outros centros de influência regional e nacional”, reforça Fernando Braga, que tem graduação e mestrado em Geografia pela UFMG e é docente do Instituto Federal Minas Gerais – campus Ouro Preto.
Tese: Conexões territoriais e redes migratórias: uma análise dos novos padrões da migração interna e internacional no Brasil
Autor: Fernando Gomes Braga
Defesa: 10 de novembro de 2011, junto ao Programa de Pós-graduação em Demografia da Faculdade de Ciências Econômicas
Orientador: Dimitri Fazito de Almeida Rezende

*Boletim UFMG, edição 1760

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Cycle In Cinema – Magnificent Revolution




O Cycle In Cinema é um projeto itinerante e gratuito que percorre os bairros londrinos com o objetivo de educar e entreter. As bicicletas funcionam como ferramenta educacional inspirando as pessoas a reduzir seu consumo energético, agindo de forma mais criativa. 
O projeto usa geradores capazes de converter a energia cinética ou de movimento em eletricidade. Deste modo, a energia convencional é substituída por fonte de energia renovável, gerada pelas pedaladas do publico que assiste aos filmes.
O Cycle In Cinema foi idealizado pela Magnificent Revolution uma organização inter-disciplinar composta por artistas, músicos, designers, ecólogos e engenheiros. O objetivo da MR é ajudar as pessoas a compreender o seu uso de energia, suas ligações com a produção de energia e mudança climática."Orientamos as pessoas para soluções positivas e de transição para estilos de vida de baixo carbono".
O MR até agora realizou 59 eventos de cinema, musica e arte, educando crianças e adultos tornando-os mais conscientes do seu consumo de energia.
Para participar basta trazer sua bicicleta e pedalar, imagine um  drive-in sem carros!

Conheça mais sobre o projeto http://www.magnificentrevolution.org/

*Tradução Livre – Redação colunadosardinhaecologia - ECOZINHO

Pesquisa sobre interface entre plantas e animais é central para conservar biodiversidade, diz pesquisador


Estudioso da associação entre artrópodes e plantas da família Compositae, Thomas Lewinsohn, da Unicamp, afirma que mudanças no Código Florestal tendem a dificultar conservação (Foto: Eduardo Cesar)

Por Fábio de Castro/Agência FAPESP
Estudar a interface entre plantas e animais é fundamental para compreender e conservar a biodiversidade da Terra, já que o sistema formado pelas espécies vegetais e os animais que delas se alimentam – em especial artrópodes – corresponde a mais da metade de diversidade biológica existente. Mas, enquanto as pesquisas nessa área são trabalhosas e avançam lentamente, o ritmo de degradação ambiental e a perda de biodiversidade tende a se acelerar.
A análise foi feita pelo professor Thomas Lewinsohn, do Departamento de Biologia Animal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) durante o último dia do South American Compositae Meeting. A reunião internacional encerrada na última quarta-feira (7//12) teve como objetivo apresentar os mais recentes desenvolvimentos na sistemática, biogeografia, evolução e conservação de Compositae na América do Sul.

Compositae é a maior família de plantas existente, também conhecida com Asteraceae. Suas quase 30 mil espécies, espalhadas em todos os continentes, nos mais variados biomas, têm um papel importante em inúmeros ecossistemas e alto interesse econômico. A família compreende espécies de plantas conhecidas como o girassol, a alface, a margarida e o crisântemo e se caracteriza por possuir inflorescências em capítulos – um conjunto de flores reunidas em um receptáculo comum.
De acordo com Lewinsohn – que estuda desde a década de 1980 a interface entre Compositae e insetos endófagos que se desenvolvem no interior dos capítulos – a revisão do Código Florestal brasileiro, aprovada no Senado na última terça-feira (6/12), poderá contribuir para a perda de biodiversidade, atingindo particularmente o sistema que envolve essa família de plantas. A revisão do código vem sendo criticada pela comunidade científica paulista, que já a classificou como o mais grave retrocesso ambiental em meio século .
“Determinadas áreas deverão ser mais sacrificadas por essas mudanças no Código Florestal. Áreas consideradas muito vulneráveis, que são protegidas pela versão ainda existente do código, que está sendo modificada, incluíam topos de morros, áreas em cotas acima de 600 metros, áreas com grande declividade, áreas inundáveis, dunas, restingas e áreas costeiras. As Compositae estão presentes exatamente nesses locais”, disse Lewinsohn à Agência FAPESP.
A legislação continuará protegendo essas áreas, segundo Lewinsohn, mas abrirá exceção para situações consolidadas. “Situação consolidada é o novo eufemismo para situação ilegal. Uma das coisas que o novo código está fazendo é legalizar ocupações urbanas e ocupações de culturas em áreas de grande risco e áreas vulneráveis. São situações ilegais que se tornaram um fato consumado. Em vez de resolver o problema, legaliza-se o incorreto. A sinalização que foi dada é: continue infringindo a lei e aguarde a próxima anistia”, afirmou.
Os estudos sobre a interface entre plantas e animais, segundo Lewinsohn, ajudam a entender a importância da conservação da biodiversidade. Por essa interface, segundo ele, passam diversos processos são importantes para a manutenção dos ecossistemas e que acabam afetando diretamente a qualidade de vida humana e a capacidade de obter recursos naturais de interesse.
“Como consumidores de plantas, somos concorrentes diretos dos herbívoros. É preciso conhecer a concorrência e entendê-la, porque muitas vezes perdemos as lutas. O consumo de plantas por animais herbívoros é um dos principais problemas que existem permanentemente na agricultura”, disse.
A inserção de produções de interesse humano nos sistemas naturais deve ser feita com base científica, segundo Lewinsohn, pois esses sistemas frequentemente fornecem o que hoje se chama de serviços ecológicos, como, por exemplo, parasitos que ajudam a controlar pragas, ou animais polinizadores.
“Além do valor econômico das espécies de Compositae, elas são plantas importantíssima para a alimentação de abelhas de mel. A produção de mel e de própolis é fortemente dependente da diversidade de plantas dessa família. As abelhas, por outro lado, são polinizadoras. Se perdermos um elo dessa cadeia, vamos afetá-la inteiramente. Muitas vezes só descobrimos esses efeitos da pior maneira possível, quando o sistema foi destruído e nos damos conta dessas consequências indiretas em cascata”, explicou.
Em seus estudos, Lewinsohn tem produzido listas de espécies de insetos associados a determinadas espécies de Compositae. Os dados obtidos entre 1995 e 2005 em quatro regiões – Serra Gaúcha, Cerrados de São Paulo, Serra da Mantiqueira e Serra do Espinhaço – incluem amostras de 535 espécies de plantas e mais de 3 mil amostras de artrópodes. A análise permitiu montar uma lista de espécies relacionadas entre si, desvendando a dinâmica das interações. A lista, no entanto, está longe de ser exaustiva.
“Começamos por um trabalho de prospecção das espécies existentes no campo e depois passamos para a coleta do material e armazenamos os capítulos. É um trabalho extenso e levamos 10 anos para conseguir uma primeira lista de espécies. Trata-se de um quebra-cabeça gigantesco”, afirmou.
A partir desse tipo de levantamento, os cientistas podem tentar responder inúmeras perguntas científicas, segundo Lewinsohn: por que algumas espécies são mais associadas entre si? Qual a congruência entre o conjunto de hospedeiros dos mesmos insetos? Por que certas plantas suportam comunidades mais diversificadas que outras? Que características evolutivas estão associadas a essas condições? A grande separação entre elas seria a relação entre a presença no espaço e a filogenética comum?
“Nosso objetivo é acoplar a filogenia de animais às filogenias de plantas. No entanto, existem alguns gargalos para esse tipo de estudo. As dificuldades técnicas, ligadas principalmente à análise de DNA, estão sendo superadas em uma velocidade espantosa. Mas o principal obstáculo consiste em obter informação eficiente de campo. Trata-se de uma informação simples: quais são as espécies e onde elas estão. Algo que sabemos como fazer, mas que requer um volume impressionante de trabalho e, por isso, grande quantidade de pessoas”, afirmou. 

BRASÍLIA APRESENTA AÇÕES SUSTENTÁVEIS NA CONSTRUÇÃO DO ESTÁDIO NACIONAL

Capital busca certificação LEED Platinum, categoria máxima do selo dado pela ONG Green Building Council
Feicon Batimat 2011: Brasil quer construir estádio mais sustentável do mundo
Estádio Nacional de Brasília. Crédito: Castro Mello Arquitetos
A Câmara Temática de Meio Ambiente e Sustentabilidade realizou nesta quarta e quinta-feira (30.11 e 01.12), em Brasília, a I Oficina sobre Certificação e Gestão Sustentável das Arenas da Copa 2014, com o objetivo de apresentar as ações sustentáveis nos 12 estádios do Mundial. O parâmetro escolhido pelos gestores brasileiros são os estabelecidos pela Green Building Council (CGB), organização não governamental que emite o certificado LEED. E, pelo menos por enquanto, a capital do país é a única a pleitear a categoria máxima: Platinum.
Uma série de requisitos deverão ser cumpridos pelos responsáveis pela obra do Estádio Nacional de Brasília, já que não há Arena no mundo com tal certificação. Segundo a engenheira ambiental, Priscila Mesquita, que trabalha no empreendimento a sustentabilidade começa com os trabalhadores. “Todos são treinados para lidar com acidentes químicos que possam contaminar o solo. Kits de socorro para caso de acidentes foram espalhados na obra”, explicou. Os reservatórios com substâncias químicas ficam em caixas de concreto, pois caso haja algum tipo de vazamento, o solo não será prejudicado.
Outra ação sustentável é em relação à cobertura do estádio que terá células fotovoltaicas para a captação de luz solar, com capacidade de obter até 2,5 megawatts, o que corresponde a toda energia necessária para o funcionamento da Arena. 
Mobilidade Urbana
O próprio desenho urbanístico de Brasília e a localização do Estádio Nacional possibilitam uma pequena demanda por mobilidade urbana durante a Copa do Mundo. Ônibus elétricos, hídricos ou de biodisel, percorrerão toda a área central da cidade em direção à Arena, em faixas exclusivas, mesmo trajeto em que será implantada uma ciclovia. “A intenção é que as pessoas também possam ir de bicicleta assistir aos jogos”, ressaltou Mesquita.   
Números
81 árvores foram arrancadas. Em troca, a construtora doou 5 mil mudas de espécies diferentes ao governo local;
Foram reciclados 860 mil toneladas de material metálico, 9,6 toneladas de papelão, 2,5 toneladas de plástico, 105 toneladas de madeira.
Gabriel Fialho – Portal da Copa (colaborou Victoria Camara)
da copa2014.gov.br

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O cineasta Silvio Tendler e Alexandre Pessoa, pesquisador da EPSJV/Fiocruz recebem Prêmio Parceiros da Paz e da Sustentabilidade


Da Agência Fiocruz

O pesquisador da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) Alexandre Pessoa, é um dos vencedores do prêmio Parceiros da Paz e da Sustentabilidade 2012-2016, que inclui uma relação de personalidades, instituições, cidades, profissionais da mídia e empresas que se destacaram por sua responsabilidade social e ambiental por meio de um rigoroso processo de certificação independente coordenado pela Agência Brasil Sustentável.
O comitê certificador do prêmio é formado pelas instituições: Agência Brasil Sustentável, International Global Water Coalition (iGWC), Conselho de Defensoria Social e Agência Latinoamericana para o Desenvolvimento Sustentável (Alades).

O engenheiro civil sanitarista, mestre em engenharia ambiental e professor da EPSJV Alexandre Pessoa

Alexandre recebeu o prêmio pelo apoio científico às comunidades afetadas pela TKCSA (ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico) e à Campanha contra Agrotóxicos e pela Vida, que tem o apoio da EPSJV. Alexandre faz parte do GT da Fiocruz, que tem a participação de pesquisadores de diversas unidades da Fundação e que analisa os impactos socioambientais e à saúde da TKCSA na comunidade de Santa Cruz.

O cineasta Silvio Tendler também foi premiado pela produção e direção do documentário O veneno está na mesa, produzido com o apoio da EPSJV/Fiocruz, que denuncia o consumo de 5,2 litros/ano de veneno pela aplicação de agrotóxicos na produção de alimentos pelo agronegócio com danos irreparáveis à saúde da população.

O anúncio dos vencedores será realizado neste sábado (10/12), no Rio de Janeiro, e no dia 12 de dezembro, em Curitiba. No Rio, o evento marca a abertura da Semana Internacional de Direitos Humanos com palestras e debates, a partir das 10h, no auditório do Sindicato dos Trabalhadores da Previdência e Saúde do Rio de Janeiro (Sindsprev-RJ), na Rua Joaquim Silva, 98, próximo aos Arcos da Lapa.

A entrega das premiações ocorrerá durante a próxima Conferência Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20), que a ONU realizará em junho de 2012, no Rio de Janeiro.

O papel da educação ambiental no processo de mobilização em defesa do Código Florestal

da UFSCAR/CLICKCIÊNCIA

Por Mayla Willik Valenti, Amadeu Logarezzi, Valéria Ghisloti Iared, Natália Salan Marpica*
Quando se fala em educação ambiental muitas pessoas pensam em mudanças de comportamento individuais, como a separação do lixo reciclável, a economia de água ou o plantio de árvores. Obviamente essas são ações importantes que estão presentes no cotidiano de qualquer pessoa. Porém, muitas/os educadoras/es ambientais acreditam que elas não são suficientes. Isso porque os objetivos da educação ambiental podem ser maiores do que apenas a mudança de comportamento das pessoas.

A educação ambiental crítica e transformadora tem como objetivo contribuir com uma transformação profunda das relações entre os seres humanos e entre estes e a natureza. Essas mudanças devem ser no sentido de diminuir as desigualdades sociais, promover a democracia verdadeira e, ao mesmo tempo, manter um ambiente equilibrado, respeitando todas as formas de vida. Essas transformações não se fazem pelo movimento individual, mas por ações coletivas.

  • Educação Ambiental: Processo político, democrático e participativo.
A partir dessa perspectiva, o primeiro passo das/os educadoras/es ambientais brasileiras/os no momento deve ser apresentar e discutir o tema da proposta de mudança do Código Florestal em suas práticas educativas. Esta parece uma indicação desnecessária, mas, na prática, é possível encontrar diversas situações em que assuntos considerados óbvios não são abordados. Se esse tema simplesmente não aparece de forma explícita, ele pode também não ter relevância na vida das/os educandas/os que deixam de receber informação a esse respeito e deixam de aprender como aplicar conhecimentos específicos dessa temática e de construir sentidos nesse contexto. Com isso, perdem oportunidade de discutir e participar de ações concretas de importante impacto social e ambiental, deixando assim de desenvolver uma ética da responsabilidade cidadã.

Ao abordar o tema, é necessário ter em mente que as questões ambientais não se restringem aos conhecimentos biológicos ou ecológicos. A relação entre os seres humanos e a natureza e entre os próprios seres humanos envolve muitos outros aspectos como os sociais, econômicos, políticos e culturais que constantemente interagem de maneira complexa e conflituosa. Dessa forma, os conhecimentos sobre os processos naturais devem estar associados aos demais contextos em que estão inseridos. Dizendo em outras palavras, é preciso conhecer como se constitui e como funciona a natureza, mas também como se constitui e como funciona a sociedade, sendo que estes são dois campos bem distintos do conhecimento, cujos repertórios devem ser objeto da educação ambiental.

Considerando que há uma diversidade grande de formas de se ver o mundo e de com ele se relacionar, a questão ambiental em geral envolve interesses divergentes, gerando conflitos. A proposta de mudança do Código Florestal ora em discussão no Senado Federal é um ótimo exemplo de como isso pode ocorrer. Resumidamente, temos, de um lado, o interesse do agronegócio em aumentar seus lucros e em manter uma forma de desenvolvimento pautada no desmatamento e uso irrestrito dos recursos naturais e, de outro, um movimento de defesa do Código Florestal que se baseia em argumentos como manutenção do Planeta para as futuras gerações, direito à existência de todas as formas de vida e proposta de um novo modelo de desenvolvimento. Para complicar a situação, esses interesses e conflitos nem sempre aparecem de forma explícita para a sociedade.

Sobre esse aspecto, a mídia exerce um papel importante. Tem-se difundido, por exemplo, que a mudança do Código Florestal tem o objetivo de beneficiar as/os pequenas/os produtoras/es. Assim, a imagem que se passa é que as/os defensoras/es da manutenção do código seriam ambientalistas fanáticas/os, que não se importam com essas/es pequenas/os agricultoras/es ou com a economia do País. Ao mesmo tempo, não se apresentam os reais argumentos do movimento de defesa do Código Florestal, muito menos os interesses particulares das/os grandes produtoras/es rurais na alteração da lei. Nesse sentido, o papel das/os educadoras/es ambientais é apresentar essa realidade complexa e permeada por conflitos de interesse, inclusive se posicionando em relação a ela. Para isso, as ações educativas, para além de abordarem conhecimentos sobre a natureza e sobre a sociedade, devem articulá-los com outras dimensões como os valores éticos e estéticos e a participação política no processo de ensino e aprendizagem. Sem essa articulação, aqueles conhecimentos se esvaziam de sentido.

O trabalho educativo com os valores atua no âmbito da sensibilização e do respeito em relação à sociedade e ao ambiente para a revisão das posturas e dos padrões vigentes. Além da complexidade e dos conflitos presentes nas questões socioambientais, pode-se trabalhar com os diferentes valores atribuídos à conservação da biodiversidade. Questões como "Por que queremos (ou não) conservar a natureza?" podem levar a reflexões profundas sobre as conexões entre os aspectos ecológicos e seus significados para a ciência, a tecnologia e a sociedade, propiciando o questionamento de informações apresentadas de forma normativa. A solidariedade é também um aspecto inerente à ética e é considerada fundamento para o trabalho coletivo em busca de soluções ambientais. A ética com a vida, em todas as suas manifestações, deve permear todo o processo educativo para, desta maneira, promover a valorização e o respeito às diferentes formas de vida e de se viver, de se expressar, de se comunicar e de se conhecer. Ou seja, devem-se conectar as abordagens das diversidades biológica e cultural.

Outro fator pouco discutido em ações educativas e intimamente associado à ética e à solidariedade são as diferenças no acesso aos elementos da natureza e na distribuição dos riscos ambientais pelos diferentes grupos sociais. Existem grupos que estão em condições de vulnerabilidade ambiental, devido aos preconceitos ou à desigualdade econômica a que estão submetidos. Deste modo, não se deve generalizar a humanidade, mas se considerar os contextos sociais e históricos que levam a diversas formas de relação entre os seres humanos e a natureza. No caso da discussão do Código Florestal, algumas perguntas são muito pertinentes, como: Quem se beneficiará com a mudança da lei? Quem sofrerá as consequências ambientais dessa mudança? Quem está mais protegido e quem está mais vulnerável?

Finalmente, a dimensão da participação política trabalha o exercício da cidadania, isto é, está relacionada à relevância da sociedade se organizar em um coletivo que reflita, construa e reivindique, possibilitando uma efetiva atuação política em busca de transformação concreta da realidade. Para tanto, é preciso conhecer as responsabilidades de cada instância da sociedade na busca por soluções de problemas ambientais. Dessa forma, as pessoas podem identificar quais são os espaços de participação e de luta que podem ocupar. Além disso, esse conhecimento permite a fiscalização pela população, o debate público e a cobrança social, consolidando a participação e a democracia. No caso mais específico do Código Florestal, vale lembrar que a legislação de um país é um instrumento ligado à cidadania e, portanto, ser conhecida e discutida por toda a população significa avançar no trato das questões ambientais presentes na sociedade brasileira. Nesse processo, um dos papéis fundamentais da educação ambiental é difundir a esperança de que as mudanças em direção a um mundo de sociedades sustentáveis são possíveis. Isso porque somos seres históricos e, como tais, somos capazes de mudar a realidade.

Muitas vezes esse movimento de luta é visto como idealista. Mas a palavra mais apropriada talvez seja utópico. A utopia é um sonho realizável. Como diz Paulo Feire, certamente difícil de ser alcançado, mas possível. Nesse sentido, é central que se cuide, na escola ou fora dela, das relações entre as pessoas, pois é interagindo com as pessoas por meio do diálogo que com elas nos sentimos no mundo e com elas dizemos o mundo para compreendê-lo e, dando sentido a essa compreensão, transformá-lo, transformando-nos pela educação de nós mesmos na relação interpessoal.

A nossa história no mundo mostra que muitos avanços foram conquistados por meio dos movimentos sociais, entre eles o ambientalista. A própria legislação ambiental brasileira, tida como das mais avançadas, e, mais recentemente, a existência de legislação específica de educação ambiental nos âmbitos nacional, estadual e municipal são exemplos disso. Não podemos ignorar que existem muitas forças opositoras à democracia, à justiça social, à conservação da biodiversidade. Mas os movimentos sociais e ambientais se colocam como uma importante pressão contrária a essas forças e são capazes de fazer diferença. Nesse sentido, a educação e em especial a educação ambiental são fundamentais. Como dizia Paulo Freire, não é a educação que vai promover todas as transformações necessárias no mundo, mas, sem ela, não é possível transformar nada. Segundo esse educador, que muito inspira o campo da educação ambiental, uma das potencialidades da educação é fomentar processos democráticos. Assim, nada mais democrático do que a sociedade discutir amplamente a elaboração de uma lei. E se democrático, também é, portanto, um ato educativo.


Mayla Willik Valenti é Bióloga, Mestre em Ecologia e Recursos Naturais pelo PPG - ERN / UFSCar e Doutoranda pelo mesmo Programa.

Amadeu Logarezzi é Engenheiro, Professor do Departamento de Engenharia de Materiais da UFSCar e Membro do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Ambiental (GEPEA / UFSCar)

Valéria Ghisloti Iared é Bióloga, Mestre em Ecologia e Recursos Naturais pelo PPG - ERN / UFSCar e Doutoranda pelo mesmo Programa.

Natália Salan Marpica é Tecnóloga em Saneamento Ambiental e Mestre em educação pelo PPGE / UFSCar.

PESQUISADORES DA UNESP, UFSCAR, USP E IPEN CRIAM JOGO EDUCATIVO QUE ENSINA A PRESERVAR O AMBIENTE

Araraquara cria jogo educativo que ensina a preservar o ambiente

Projeto é voltado para alunos do ensino fundamental e professores da rede básica

A equipe que desenvolveu o Ludo Educativo (hoje com mais de 1 milhão de acessos) e o Jogo da Dengue, criou também uma série de jogos educativos com a temática de Meio Ambiente e Sustentabilidade, destacando-se o Half na Floresta. O game é voltado para alunos do ensino fundamental e professores da rede básica que podem utilizar o recurso em sala de aula.

A ação é coordenada pelo professor Élson Longo, do Instituto de Química, Câmpus de Araraquara. O projeto de criação de jogos educativos é uma iniciativa do Instituto Nacional de Ciências dos Materiais em Nanotecnologia (INCTMN) e do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC), que reúnem pesquisadores da Unesp, UFSCar, USP e IPEN. Longo é diretor geral do INCTMN e CMDMC. O time conta ainda com a colaboração da empresa de tecnologia da informação Aptor Games, de São Carlos (SP).

Segundo Longo, a temática de Half na Floresta foi escolhida para enfatizar a importância e a necessidade de conservar a natureza e, assim, dar condições de vida sustentável em nosso planeta. Na primeira fase, o personagem Half deve ajudar a libertar os animais em extinção que foram capturados ilegalmente (araras, macacos, etc). O jogador deve ficar também sempre atento para escapar das investidas dos animais perigosos que perambulam pela floresta.

Na segunda fase, existe uma diversificação do tema, criando novas perspectivas para o jogador, envolvendo-o ainda mais com a preservação e manutenção do meio ambiente. Cada uma das jogadas aborda uma questão diferente. Neste caso, os objetivos de Half giram em torno do desmatamento descontrolado. Nesta fase, o personagem necessita plantar árvores em concorrência com lenhadores encontrados pelo caminho.

Para conhecer este e os demais jogos educativos desenvolvidos pela equipe de pesquisadores, basta acessar www.ludoeducajogos.com.br. Todos os games são gratuitos.
Assessoria de Comunicação e Imprensa da UNESP