segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

CTNbio publica norma de monitoramento de organismos geneticamente modificados


 A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNbio) publicou nesta segunda-feira, 5, no Diário Oficial da União resolução normativa que estabelece normas de monitoramento pós-liberação comercial de organismos geneticamente modificados (OGM). O objetivo, de acordo com a resolução, é obter informações que possam indicar efeitos adversos decorrentes da liberação comercial do OGM sobre o ambiente ou sobre a saúde humana ou animal.

"A elaboração, a submissão e a posterior implementação do plano de monitoramento pós-liberação comercial será de responsabilidade da requerente, que poderá executá-lo por intermédio da contratação de serviços de instituições capacitadas", afirma o texto.
Em setembro, a comissão aprovou o uso no País da primeira espécie transgênica nacional. O feijão transgênico resistente ao vírus mosaico dourado teve sua semente totalmente desenvolvida pela equipe da Embrapa.
do estadão.com.br
RESOLUÇÃO NORMATIVA N9, DE 2 DE DEZEMBRO DE 2011 em:
http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=47&data=05/12/2011



Gabriel Fernandes comenta a resolução 

O desmanche das regras de biossegurança no país

Do IHU On-Line

“Está em curso um processo de desmanche das regras de biossegurança no país”, declara Gabriel Fernandes ao comentar a resolução normativa que autoriza empresas produtoras de transgênicos a pedirem isenção do monitoramento dos produtos após a liberação comercial, aprovada nesta semana pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio. Com a mudança, as empresas estão liberadas de monitorar os efeitos dos transgênicos sobre a saúde humana e o meio ambiente.

“O não monitoramento pós-comercialização dos transgênicos impede que seus potenciais riscos sejam identificados. Com isso as empresas seguirão dizendo que ainda não foram comprovados danos causados pelo uso de transgênicos”, adverte o pesquisador.

De acordo com o agrônomo, antes de as regras sobre o monitoramento dos transgênicos serem alteradas, as empresas apresentaram suas posições em reunião da CTNBio. “Na prática, a reunião serviu para as empresas apresentarem suas propostas sobre o monitoramento. Quando questionado por um dos integrantes, o presidente da CTNBio disse que os demais interessados poderiam enviar suas sugestões por escrito, mas o texto base para comentário não foi disponibilizado, nem foi aberto prazo para consulta pública”.

Gabriel Fernandes é agrônomo formado pela Universidade de São Paulo - USP, e membro da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como você recebeu a notícia de que a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio aprovou a resolução normativa que autoriza empresas produtoras de organismos geneticamente modificados a pedirem isenção do monitoramento pós-liberação comercial? O que muda em relação ao controle dos transgênicos a partir da liberação desse procedimento? Quais os riscos?
Gabriel Fernandes – Está em curso um processo de desmanche das regras de biossegurança no país. Aqueles poucos itens da lei que as empresas não conseguiram levar em 2005, quando da disputa no Congresso, estão sendo conquistados agora por meio da CTNBio, que é órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia.

A mudança está no fato de que as empresas daqui em diante poderão se isentar de monitorar os efeitos de médio e longo prazo dos transgênicos sobre a saúde e o meio ambiente. As que porventura o estivessem fazendo poderão pedir sua extinção. O perigo está exatamente no fato de que os riscos desses produtos não serão investigados.

IHU On-Line – Como aconteceu o processo de votação na CTNBio?

Gabriel Fernandes – Antes de mudar as regras de monitoramento, o presidente da CTNBio convidou as empresas para uma reunião em Brasília-DF na qual se discutiriam regras para o tratamento de informações confidenciais. Na prática, a reunião serviu para as empresas apresentarem suas propostas sobre o monitoramento. Quando questionado por um dos integrantes, o presidente disse que os demais interessados poderiam enviar suas sugestões por escrito, mas o texto base para comentário não foi disponibilizado, nem foi aberto prazo para consulta pública. No início da reunião em que o fim do monitoramento foi votado, entidades protocolaram pedido para adiamento da votação até que todos interessados tivessem garantido o mesmo direito de participar. O pedido não foi lido.

IHU On-Line – Posteriormente à comercialização de agrotóxicos, os produtos são submetidos a novos testes e alguns são retirados do mercado em função dos novos resultados. Ocorre o mesmo com os transgênicos? Podes citar exemplos de transgênicos que já foram banidos do mercado?
Gabriel Fernandes – Antes de chegar ao mercado um agrotóxico passa por três órgãos, e mesmo assim, quando a reavaliação é feita anos depois, alguns produtos são banidos e outros têm seu uso restringido em função dos danos que causam. Algo semelhante acontece com os remédios.

No caso dos transgênicos, até antes da aprovação da nova lei de biossegurança em 2005 o procedimento para licenciamento seguia os moldes dos agrotóxicos. A CTNBio já existia, mas era instância apenas consultiva. Essa nova lei foi criada exatamente para dar amplos e terminativos poderes para esta comissão, criando um caso de exceção na administração pública, onde suas decisões criam obrigações para seus órgãos hierarquicamente superiores.

Desconheço algum transgênico que tenha sido banido do mercado após ter sido cultivado por algum tempo. Há casos na Europa de banimentos nacionais em face de liberações no âmbito da Comissão Europeia. Mas, assim como o banimento de agrotóxicos seria inviabilizado caso dessem cabo da reavaliação toxicológica, o não monitoramento pós-comercialização dos transgênicos impede que seus potenciais riscos sejam identificados. Com isso as empresas seguirão dizendo que ainda não foram comprovados danos causados pelo uso de transgênicos.

IHU On-Line – Como vê a postura da CTNBio diante desse assunto, considerando que a Comissão autorizou a comercialização do milho e, recentemente, do feijão transgênico no Brasil?
Gabriel Fernandes – A meu ver, essa comissão foi criada exatamente para funcionar como um cartório, só carimbando os pedidos de liberação. Colocaram nela um nome pomposo para tentar transmitir uma ideia de cientificidade que permitiria legitimar o processo. A questão é que esse ritmo acelerado de liberações só ocorre porque o restante do governo está de costas para o assunto, não quer entrar no debate. O mesmo pode-se dizer da maior parte das entidades científicas. Falta institucionalidade na CTNBio. A maioria de seus integrantes está lá falando por si mesmo; parecem se esquecer que cada um lá dentro deveria representar a posição de um ministério, de um setor da academia ou da sociedade. Se o governo estivesse atento, querendo saber o que fazem seus representantes, ou então se as entidades científicas estivessem acompanhando o debate ou mesmo pedindo algum tipo de “prestação de contas” a seus representantes, a questão poderia ser tratada com um pouco mais de rigor. O descaso é tamanho que a derrubada do monitoramento vai contra orientação de 2008, expedida por 11 ministros e assinada à época pela ministra Dilma, que chefiava a Casa Civil, para que o Ministério de Ciências e Tecnologia criasse grupo de trabalho (que nunca foi criado) envolvendo outros ministérios e que teria como objetivo realizar estudos de monitoramento de médio e longo prazo para avaliar os potenciais danos dos transgênicos.

IHU On-Line – A transgenia tem crescido no mundo? É possível travar a produção dos organismos geneticamente modificados?
Gabriel Fernandes – É preciso destacar que Estados Unidos, Brasil, Argentina e Índia respondem por 84% da área total cultivada com sementes transgênicas. Assim, a ideia de que a transgenia cresce no mundo todo é uma imagem que a indústria tenta empurrar. A forte concentração no mercado de sementes explica boa parte dessa expansão, inclusive no Brasil. Grandes multinacionais como Monsanto, Syngenta e Pioneer vêm há anos comprando empresas menores de sementes e formando um poderoso oligopólio. Como seu interesse é vender sementes transgênicas, elas tiram do mercado as variedades convencionais e o agricultor fica sem opção. Os grandes produtores de soja do Mato Grosso já ameaçaram recorrer ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE para tentar barrar essa imposição. Também contribuem para a expansão a grande presença de representantes comerciais das empresas no campo e de convênios de governos estaduais para disseminação das sementes modificadas, como no Rio Grande do Sul e no Acre.

Até hoje os transgênicos não trouxeram nenhum benefício para o consumidor. Não há nenhuma vantagem que o produtor possa ter eventualmente obtido com os transgênicos que não poderia ter sido alcançada com a adoção de outras técnicas de manejo. Assim, os transgênicos serão travados quando os consumidores de forma geral passarem a ter mais interesse em saber de onde vem sua comida e virem no consumo uma opção política também. Na agricultura, especificamente a familiar, a reversão do quadro dependerá dos movimentos do campo (Via Campesina, Fetraf e Contag) colocarem o controle sobre as sementes como prioridade em suas agendas estratégicas e como um caminho para um modelo agrícola que liberte o agricultor de fazer o que faz o agronegócio, só que em menor escala.

IHU On-Line – Como vê a participação da sociedade civil em relação aos transgênicos? Por que não há uma mobilização massiva contra esses produtos?
Gabriel Fernandes – Muitas entidades e movimentos sociais estão atravessando um momento difícil, de indefinições políticas e financeiras. Isso torna necessária a priorização de agendas ou, em muitos casos, o enxugamento de quadros. A questão dos transgênicos já foi um tema mais mobilizador e que ajudou a puxar o debate sobre o modelo dominante de agricultura. Agora os agrotóxicos estão novamente cumprindo esse papel. Mas trata-se, na verdade, de dois lados da mesma moeda, e a tendência é que a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida comece a pautar mais a questão dos transgênicos.

IHU On-Line – Como ficou a diversidade das sementes depois da introdução dos transgênicos?
Gabriel Fernandes – Os produtores que conservam suas sementes próprias estão tendo que assumir o ônus de evitar a contaminação. Isso quer dizer que estão tendo que plantar barreiras em suas propriedades, mudar épocas de plantio ou a localização de suas lavouras. Há casos em que as organizações locais estão comprando kits diagnósticos para averiguar se não houve contaminação das sementes que serão repassadas a outros agricultores ou levadas a feiras de sementes e biodiversidade.

A preservação desses recursos genéticos nas mãos dos agricultores será decisiva para a produção de alimentos em tempos de mudança climática e esgotamento dos recursos naturais. O papel estratégico dessas sementes já é reconhecido há décadas, por exemplo, pelos agricultores do semiárido, que desenvolveram os bancos comunitários de sementes, e agora é também defendido pelo relator especial da ONU para o direito humano à alimentação. No âmbito do programa Fome Zero, o governo tem iniciado ações que permitem a compra e distribuição de sementes crioulas entre os agricultores familiares. É um reconhecimento importante, que permitirá que o agricultor enfrente os transgênicos cultivando suas próprias sementes.

IHU On-Line – Quais são os limites da fiscalização de produtos geneticamente modificados?
Gabriel Fernandes – Para fins de rotulagem dos alimentos, o Ministério da Agricultura deve fiscalizar as plantações; a Anvisa, a indústria de alimentos; e a Justiça, por meio dos Procons, o mercado varejista. Se houvesse cooperação e troca de informação entre esses órgãos, o controle seria mais eficaz e o consumidor poderia estar mais bem informado. Mas infelizmente não é isso o que acontece. Além de ser bem mais caro, o teste em produtos amostrados nos mercados não é totalmente satisfatório, pois em muitos alimentos o processamento torna impossível a detecção do ingrediente transgênico.



Pela vitória das forças da mudança


Sérgio:”As forças dominantes do modelo fóssil desigual ainda predominam”. 
(Foto: Virgínia Damas/CCI/Ensp/Fiocruz)

ensp.fiocruz.br/radis/Adriano de Lavor 
O mundo em mudanças e os desafios da busca por sustentabilidade, que estarão no foco da Rio+20, pautaram palestra proferida pelo sociólogo e cientista político Sérgio Abranches, na abertura da semana comemorativa do aniversário dos 57 anos da Ensp/Fiocruz, realizada em setembro. “As forças dominantes do modelo fóssil desigual ainda predominam sobre as forças da mudança”, alertou ele, logo no início de sua fala, tomando como base o acompanhamento que veio fazendo das conferências já realizadas sobre mudanças climáticas. Nesses encontros, avaliou Sérgio “se tecem dificuldades e se desfazem intenções, diante de obstáculos políticos e desequilíbrio de forças ali presentes”.

Ele afirmou, no entanto, que acredita que a humanidade não cria problemas que ela mesma não esteja pronta para resolver. Mesmo não tendo soluções prontas, dispõe de condições para a resolução desses problemas. “Já são sementes”, indicou. “Nosso trabalho é tornar estas sementes em árvores vitoriosas na floresta de interesses”.

Sérgio considera que já vivemos um processo de mudança, que tem dois pólos. De um lado, há o esgotamento da capacidade do planeta em sustentar a vida e a biosfera; ao mesmo tempo, já estão em curso mudanças científicas, tecnológicas, sociais e organizacionais que construirão as saídas que talvez permitam que nós tenhamos, ainda neste século, “uma sociedade mais sustentável, mais civilizada e com melhor capacidade de enfrentar as falhas que o século 20 nos legou”.


MUDANÇA DE PARADIGMA
Vários elementos do paradigma que ordenou e desordenou a vida do século 20, afirmou Sérgio, estão em esgotamento: a democracia representativa, a economia capitalista globalizada e o descolamento entre o lado financeiro da economia e o lado real, “que está levando o capitalismo a uma crise que ele não sabe resolver”. “A história do século 20 foi uma história da relação entre pessoas e forças sociais”, analisou ele, observando que todos os eventos do período são sociais, políticos e econômicos: a Revolução Russa (1917), a 1ª Guerra Mundial (1914-1918) e a 2ª Guerra (1939-1945), até as transformações decorrentes do colapso do socialismo de Estado e a hegemonia do capitalismo globalizado financeiro.
No século 21, apontou, a história vai ser determinada por outro tipo de relacionamento: viveremos uma síntese contemporânea da contradição que havia na Idade Média, entre as forças humanas e as forças da natureza. “Foi a luta pelo controle das forças da natureza que levou à Revolução Industrial e às transformações que vimos no século 20”, assinalou, lembrando que novamente enfrentaremos essas forças.

‘COMPLEXO DE PROMETEU’
“Fracassamos na nossa onipotência de que seríamos capazes de subjugar as forças da natureza de forma perene”, disse. Mais que isso, salientou, os cientistas enfrentarão, nas próximas décadas, um desafio extraordinário, que será o retorno ao que classificou como Complexo de Prometeu — acreditar que é possível controlar todas as formas do fogo e colocá-las à disposição de uma visão de mundo — enfrentando-se as mudanças climáticas pela geoengenharia.
“A geoengenharia é um perigo”, alertou, já que não se sabe quem vai ter o controle deste conhecimento. Segundo ele, há um movimento dentro da comunidade de cientistas do clima para que este saber se torne um conhecimento compartilhado e submetido a uma governança. Ele criticou a frieza de físicos que propõem o uso da geoengenharia para diminuir em três graus centígrados a temperatura do planeta — sem mostrar preocupação com consequências, tais como o fim das monções na Índia e de boa parte da Amazônia.
Para Sérgio, são decisões graves. “Não existe vontade política para acabar com isso”, afirmou. E defendeu que a forma adequada para resolver o problema é ceder às pressões da sociedade. Neste ponto, manifestou preocupação em relação ao país, já que considera que a sociedade brasileira, em muitos aspectos, é tolerante com o intolerável e com a baixa qualidade.
 

DO LOCAL PARA O GLOBAL
O momento, de qualquer forma, salientou, é de reestruturação socioeconômica — com a redução do poder dos Estados Unidos e a quebra da hegemonia econômica das nações desenvolvidas —, de reordenamento geopolítico, e de uma revolução tecnológica em curso. Enquanto a nanotecnologia muda paradigmas da medicina, as redes sociais revolucionam o jornalismo. “Por outro lado, a ciência social está, a cada dia, mais desafiada a encontrar novas ferramentas para estudar novos fenômenos”, afirmou.
Abranches apontou que as gerações 2.0 viverão uma nova ordem, mas lembrou que a construção de uma sociedade sustentável “jamais virá de cima para baixo”. Por isso mesmo, disse não acreditar em acordos globais que sejam seguidos por países, mas sim em movimentos locais de sustentabilidade que se transformem em padrões nacionais e, em seguida, adotados no âmbito global.
 

CONTRADIÇÕES
Ele indicou ainda algumas contradições com que teremos que conviver em relação às questões ambientais: usar ou não a energia nuclear para a geração de energia elétrica; como produzir comida, o uso de transgênicos e de alimentos sintéticos; a necessidade de sustentabilidade e a certeza de que seremos 9 bilhões de pessoas em breve. “É rigorosamente impossível desenvolvermos uma economia de baixo carbono, sem que essa economia tenha uma lógica diferente da economia de mercado do século 20”, ressaltou, lembrando que esse modelo já se mostrou incapaz para resolver dois grandes problemas do século — a mudança climática e a pobreza.
Abranches acredita que o maior legado da Rio 92 foi sistematizar as mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, trazer a ciência para a pauta jornalística. Sobre a Rio+20, orientou que desenvolvimento sustentável não é desenvolvimento sustentado ou crescimento ininterrupto do PIB, mas sim “uma economia de baixo carbono, associada a uma pegada ambiental mínima”.

ECONOMIA VERDE
Ele apresentou um modelo que mostra que a busca pelo desenvolvimento sustentável não é feita de sacrifícios — “não é produzir recessões, nem reduzir a taxa de emprego, nem interferir de forma autoritária na economia”. É um outro ciclo de crescimento — com qualidade. A economia verde seria a substituição quase integral de toda a infraestrutura logística e energética do mundo, o que também implica perdas, mas gera empregos de melhor qualidade.
“Estamos falando de uma economia que gera mais bem estar”, assinalou, lembrando que a ideia de eliminar a pobreza “não é expandir a economia velha”, que traz componentes de desigualdade e exclusão, incapazes de realizar tal feito — a não ser através do assistencialismo. Ele criticou o uso do PIB como medida, já que o indicador covalida as falhas do mercado, contabilizando ações negativas (como o incremento na venda de armas) como positivas.

REALIDADE BRASILEIRA
Abranches diagnosticou que o Brasil tem enfrentado muito mal os desafios do século 21. “Estamos atrasados”, disse, lembrando: é baixo o investimento em educação, ciência e tecnologia; a política energética brasileira é pouco sustentável e com horizonte de curto prazo; é preciso romper com a ideia de que se têm recursos inesgotáveis e valorizar o potencial eólico e solar para a geração de energia. O Brasil começou a se interessar por energia eólica, mas ainda despreza a energia solar, sob o argumento de que é cara, apontou. Além disso, o país desperdiça água, não investe em saneamento e enfrenta problemas com a qualidade do ar.

EXPECTATIVAS
Embora considere que sua expectativa em relação à Rio +20 é a mesma que nutriu em relação à Conferência do Clima de Copenhague (COP 15), em 2010 (Radis 90) — de que nada mudaria, diante do alto nível de demandas —, Sérgio Abranches enxerga mudanças para 2012: “A Rio +20, além de ter um estoque grande de esperanças, pode acabar sendo também o estuário das desesperanças”.
Ele lembrou, no entanto, que o evento depende prioritariamente dos governos e, pela declaração conjunta dada por ministros de Meio Ambiente e Relações Exteriores dos países do Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China), não há fortes compromissos com as mudanças. Abranches teme que a agenda da conferência seja muito declaratória. Neste sentido, ele considera que a conferência pode ser salva pela comunidade científica e pela sociedade civil. Assim como a Rio 92 deixou de legado o movimento ambiental no Brasil e a visibilidade para suas questões, a Rio+20 pode acenar para a necessidade de uma pressão constante sobre os governos, para que tomem decisões que visem um movimento global.

RADIS nº 112 - dezembro 2011

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

ESA faz experimento com laser para medir gases do Efeito Estufa



Recentemente, as paradisíacas ilhas Canárias foram palco de uma verdadeira Guerra nas Estrelas, travada entre dois grandes observatórios astronômicos. Durante duas semanas, feixes de raios laser cruzaram o céu noturno em um experimento que promete mudar a forma de medição dos gases do Efeito Estufa.

O experimento foi realizado pela Agência espacial Europeia, ESA, em parceria com o Instituto de Astrofísica das Canárias, IAC, da Espanha e é a primeira fase de um ambicioso projeto que envolverá diversos satélites em órbita baixa ao redor da Terra.
Nesta primeira etapa, feixes de laser verde foram disparados do observatório na ilha de La Palma em direção ao telescópio do observatório Teide, na ilha Tenerife, a 144 km de distância. O objetivo é avaliar o uso da técnica conhecida como "espectroscopia de absorção diferencial por infravermelho", uma maneira de fazer medições extremamente precisas de traços dos gases responsáveis pelo Efeito Estufa, como o metano e o dióxido de carbono.
Nos testes realizados entre La Palma e Tenerife, o feixe de luz verde não tem qualquer importância experimental e serve apenas como guia para os invisíveis pulsos de laser infravermelho disparados em paralelo.

Absorção
Utilizando comprimentos de onda infravermelha adequados é possível calcular a absorção provocada pela concentração dos gases e então estimar a quantidade entre os dois observatórios. Futuramente, o objetivo é disparar lasers entre dois ou mais satélites que estejam próximos ao horizonte, monitorando de forma global a concentração de moléculas.
Atualmente, os pesquisadores utilizam técnica similar em que um feixe de micro-ondas entre satélites posicionados ligeiramente abaixo horizonte são afetados pela concentração dos gases na alta atmosfera. Este novo conceito, no entanto, utiliza pulsos de infravermelho laser, que permitem maior precisão e largura do espectro observado.
Além das medições diretas, se repetido em diferentes altitudes pode-se criar um perfil vertical de concentração, que se estende desde a baixa estratosfera até a atmosfera superior.

O recente experimento foi conduzido por uma equipe de cientistas do centro Wegener, da Universidade de Graz, na Áustria e das universidades de York e Manchester, no Reino Unido.
"A campanha é um passo crucial para a realização dos experimentos de laser no espaço", disse o cientista Gottfried Kirchengast, ligado ao Centro Wegener e um dos líderes do projeto. "Estamos muito animados com esta demonstração pioneira entre as ilhas. O trabalho para medir o dióxido de carbono e o metano foi bem sucedido".

Fotos: No topo, feixe de laser é emitido a partir do Observatório del Roque de los Muchachos, na Ilha de La Palma. Na sequência, telescópio instalado no Observatório de Teide, em Tenerife, usado para recepção dos pulsos. Acima, vídeo mostra como o experimento foi realizado. Crédito: ESA, Apolo11.com.
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Os poderes do ‘abacaxizinho’

Bromelina, enzima do abacaxi, é encontrada
também no curauá, planta amazônica

jornal da UNICAMP/ISABEL GARDENAL
Um pedacinho de abacaxi na panela, e a carne fica macia. Quem faz isso é a enzima bromelina, presente na fruta, que é levada às mesas e que muitos sequer suspeitam de sua ação. Da mesma família do abacaxi, o curauá é uma planta originária da Amazônia que acaba de ser motivo de uma ampla investigação da pesquisadora Juliana Ferrari Ferreira, que defendeu recentemente a sua tese de doutorado na Faculdade de Engenharia Química (FEQ). Em poder de algumas amostras da planta, a autora comprovou que nela também existem teores significativos da bromelina e demonstrou, por meio de técnica específica (sistema bifásico aquoso), que os seus níveis de purificação permitem provavelmente serem agregados a cremes, a loções e a géis anti-inflamatórios.
O resíduo de curauá, conta a pesquisadora, que é engenheira química, em geral é descartado por se entender que era apenas refugo. Juliana mostrou em seu estudo que a planta possui atividade enzimática, podendo ser purificada para ser comercializada pela indústria farmacêutica. “Ficou claro que estamos jogando fora algo de valor, sendo que atualmente apenas o abacaxi é visto como fonte desta enzima”, comenta.
A fibra dessa planta, relata ela, é largamente usada na indústria automobilística, após ter sido exibido o seu potencial como componente de peças de carro, e na indústria têxtil, devido à sua resistência, maciez e peso reduzido.
Uma empresa de São Bernardo do Campo processa essa fibra por conta do seu excelente comportamento mecânico. O processo envolve uma moagem, como a da cana-de-açúcar. “Da fibra do curauá, sai uma mucilagem de alto valor proteico oferecida aos animais. O resíduo líquido contém a bromelina”, conforme Juliana.
Já se sabe na literatura que toda planta da família das bromeliáceas (no caso o abacaxi é o mais conhecido) tem a enzima estudada. Assim, a engenheira química resolveu explorá-la para ver se continha quantidades suficientes para buscar novas aplicações. O trabalho foi orientado pelo docente da FEQ Elias Basile Tambourgi, responsável pela linha de pesquisa de purificação de biomoléculas desta faculdade.
Juliana extraiu e purificou a enzima em sistema bifásico aquoso. Conseguiu, no estudo, fatores de purificação elevados. Ainda que esse estudo seja preliminar, ele sinalizou um potencial para diferentes aplicações. O trabalho foi feito com o curauá branco e com o roxo – as duas variedades da planta – no Laboratório de Processo de Separação II.
Outra característica observada pela autora do trabalho foi que esse resíduo tem um alto teor de açúcar, que poderá estar presente na produção do álcool, por exemplo, do mesmo jeito que se utiliza cana-de-açúcar. “Só que isso depende de estudos mais aprofundados, fugindo ao objetivo do nosso estudo”, expõe ela.
A despeito de se notar uma gama de proteínas nesse resíduo, o intuito de Juliana foi obtê-lo (por ter uma atividade anti-inflamatória interessante), verificar o quanto de enzima possuía e se tinha atividade enzimática. A pesquisadora chegou à pré-purificação da planta, estágio que não contemplaria os anti-inflamatórios orais (os comprimidos), os quais exigem um maior grau de pureza. “Provavelmente teria que passar ainda por uma cromatografia. Fomos apenas até a etapa da eletroforese, pelo fato de não requerer um nível de pureza tão elevado para aplicações industriais. Conseguimos quantificar o quanto a proteína estava pura.”
Achados
Como a fibra de vidro não é renovável, afirma a doutoranda, ela está sendo substituída hoje pela fibra de curauá, presente nos painéis dos carros para resistir mecanicamente a impactos e a colisões. A vantagem desta fibra é que ela é ecologicamente correta e sua produção ocorre o ano todo.
Foi deste modo que a fibra começou a ser utilizada anteriormente, para confeccionar redes e tapetes. Mais tarde, alguém viu na fibra excelentes características mecânicas para ser incorporada aos carros e como plantas ornamentais. “Há inclusive um grupo da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da Unicamp que usa essa fibra em suas pesquisas, a fim de realizar testes mecânicos”, relembra Juliana.
Ela, porém, realça que ainda não estão disponíveis pesquisas mundiais com essa planta, uma vez que ela é de origem brasileira. Anteriormente, no mestrado, Juliana havia trabalhado com a bromelina extraída e purificada do abacaxi. A enzima comercial, salienta, é retirada do talo e da casca do abacaxi e é vendida por empresas dos EUA, onde esta tecnologia já se tornou conhecida.
O que mudou do estudo de mestrado para o de doutorado da engenheira química, além da fonte de matéria-prima, esclarece, foi o fato de usar um resíduo, um subproduto. De acordo com ela, é certo que o abacaxi tem muita bromelina em sua composição. Só que economicamente não seria viável extraí-la da fruta.
Outra dificuldade é saber o momento de fazer a extração da bromelina do abacaxi. Isso porque, quando a fruta está nova demais, ela não tem bromelina, ou a sua quantidade é mínima. Já, quando está muito madura, a sua quantidade pode cair muito. Deste modo, é preciso obtê-la na época exata da maturação, “sendo portanto vantajoso retirar bromelina da casca e do talo”, explica. Apesar do curauá ter menores quantidades de bromelina, como ele é descartado, acaba tendo um custo-benefício maior. A planta se assemelha a um abacaxi, por isso popularmente é tratada como “abacaxizinho”.
A sua ideia, comenta Juliana, foi dar visibilidade ao curauá. “O setor industrial precisa saber que está jogando fora um resíduo rico em propriedades e em aplicações”, adverte. Uma outra pós-graduanda da mesma linha de pesquisa fez um estudo de custo do produto, que se mostrou viável. Com alguns quilos de resíduos produz-se a enzima, a qual é liofilizada (embora sendo uma substância líquida) e vendida por um preço elevado, menciona.
Rumos
A pesquisadora pretende continuar esse estudo no pós-doutorado para ver o seu trabalho mais robusto, assistindo à produção dessa enzima industrialmente. Ocorre que faltam mais testes dessa enzima em medicamentos e talvez passar por um processo de purificação com nível de pureza um pouco mais elevado. É preciso passar por uma cromatografia de gel filtração, troca iônica para usar em medicamentos por via oral.
Fato é que, mesmo com os bons resultados apresentados na pesquisa, a única empresa que comercializa o curauá pretende prosseguir com o mesmo foco de uso da fibra, que é o que eles fazem no momento. Entretanto, para Juliana, esse “filão” poderá ser descortinado por mais empreendedores como um novo nicho de mercado nos próximos anos. “O Brasil infelizmente importa essa enzima, ainda que detendo a matéria-prima. O país está perdendo muito deixando de produzi-la aqui”, acredita.
No início da investigação, Juliana e o seu orientador estiveram em Botucatu para fazer algumas ponderações com o professor Isaac Stringueta Machado, docente da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, que muito colaborou para esse estudo. O foco de sua pesquisa é a micropropagação da planta in vitro. Sua intenção é fazer o curauá se desenvolver fora do seu ambiente natural.
Origem do curauá
O curauá (Ananas erectifolius L. SMITH) é uma bromélia característica da Amazônia paraense, que cresce em clima úmido e muito quente, chegando à altura de 1,5 metro. Ali está mais concentrada na região de Santarém, onde existe em grande abundância e, mesmo assim, já não está conseguindo mais suprir a demanda crescente por tanta fibra. Essa planta é rara no Sul e no Sudeste.
A fibra extraída de suas folhas é muito resistente, macia, leve e reciclável, permitindo composições para diversos usos na indústria. Ela, que foi apresentada à indústria na década de 1990, é atualmente cotada como substituta da fibra de vidro em peças automobilísticas e como composto de vigas resistentes a terremotos.
A planta pré-colombiana, da família das bromeliáceas, é também utilizada na fabricação de cordas, sacos, utensílios domésticos e artesanato. É quatro vezes mais resistente que a fibra do sisal e dez vezes mais resistente que a fibra de vidro.
O seu cultivo não provoca a degradação da mata nativa, contribui para revitalizar terras desmatadas, não é exigente a fertilizantes químicos e pode ser consorciada com culturas alimentares, representando uma fonte de renda e garantindo segurança alimentar ao agricultor da região amazônica.
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■ Publicação

Tese: “Extração e caracterização da enzima bromelina presente no curauá (Ananas erectifolius L. SMITH)”

Autora: Juliana Ferrari Ferreira

Orientador: Elias Basile Tambourgi
Unidade: Faculdade de Engenharia Química (FEQ)

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Estudo faz levantamento sobre as novas ruralidades

Comunidade Nova Esperança está localizada no perímetro urbano de Manaus (Foto: Ricardo Oliveira)


 Entender a realidade das comunidades que vivem em áreas urbanas, mas cultivam hábitos rurais foi o objetivo da dissertação ‘Racionalidade Produtiva e Habitus Híbrido: estudos sobre o modo de vida na Comunidade Agrícola Nova Esperança, Manaus-AM’. O estudo foi desenvolvido pelo mestre em Sociologia formado pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Francinézio Lima do Amaral, com financiamento do Governo do Estado do Amazonas via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), por meio do Programa Institucional de Apoio à Pós-Graduação Stricto Sensu (Posgrad).

A Comunidade Agrícola Nova Esperança está localizada na quarta etapa do bairro Jorge Teixeira e se tornou objeto de estudo, após alguns ajustes que o pesquisador fez no projeto. Amaral informou que soube de uma horta comunitária, nas proximidades da escola em que lecionava, no bairro Val Paraíso, zona leste de Manaus. "Pedi a alguns alunos que me mostrassem onde era essa horta e tive a grata surpresa de encontrar a Comunidade Agrícola Nova Esperança. De imediato, pensei: achei o campo para minha pesquisa, pois sempre estive interessado em compreender as formas como a cidade de Manaus se estruturou, especialmente em relação à periferia, pois as investigações sociológicas sobre a vida urbana manauense ainda precisam ser aprofundadas”, relatou Amaral.

A cidade de Manaus desde os anos 1970 vem se modificando devido à criação do Polo Industrial de Manaus (PIM). A cidade recebeu uma forte demanda de migração de outros Estados, todos com o mesmo objetivo, obter a tão sonhada melhoria de vida, fazendo com que surgissem novos bairros. A Nova Esperança ainda preserva seus hábitos e a cultura do plantio familiar, porém devido à expansão e à modernidade as famílias se aprimoraram.
A nova ruralidade é debatida pelo sociólogo, pois a comunidade resiste perto do espaço urbano de Manaus, se excluindo das questões modernas e dos hábitos do homem urbano, sendo digna de apreciação. A produção de hortaliças da comunidade se tornou pioneira. Esse é um tipo de fenômeno social que vem se espalhando pelo Brasil, essa é a nova ruralidade brasileira. Anteriormente, o conceito de rural se limitava a um determinado lugar onde o modo de vida das pessoas era simples, a palavra progresso representava as cidades urbanas. Amaral vê na comunidade um novo fator econômico eficaz.
“Acreditava-se que a produção de hortaliças na cidade poderia se tratar de uma nova forma econômica de produção, mas como vemos o curso está mudando. Isso significa uma transformação do modo de vida urbano indo em direção ao campo, que conta ainda com a intervenção e apoio de políticas públicas governamentais", frisou.  De acordo com Amaral, apesar da existência de um movimento, no caso, do campo para a cidade, a formação da Comunidade Agrícola Nova Esperança, foi totalmente fora do conceito que vem sendo considerado como válido para a discussão do tema. "Assim sendo, tem-se uma certa proximidade com as novas ruralidades”, frisou. 
A execução do estudo partiu da investigação sobre o local para compreender melhor o modo de vida das pessoas que ali vivem. Compreender seus hábitos e o fator econômico foi fundamental para execução. Uma pesquisa etnográfica do lugar permitiu que o pesquisador fizesse um levantamento social das famílias. A partir desse ponto, alguns aspectos e peculiaridades apontados durante o projeto se fizeram valer do objetivo real de mostrar que a comunidade possui um estilo próprio de vida e social.
Uma mudança hoje já é vista em relação ao Val Paraíso, onde se encontra a Comunidade Agrícola Nova Esperança. O bairro cresceu em torno da área de cultivo das hortaliças e o crescimento da produção contribuiu para a estruturação do bairro. Outra mudança importante foi o auxílio vindo das oficinas de olericultura ministradas pelos técnicos do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), que ajudaram a melhorar a produção com a introdução das técnicas de uso das casas de vegetação e a correta utilização dos agrotóxicos. “O uso de agrotóxicos deixou de ser importante e perceberam que não é a melhor estratégia para a produção, porém ainda faltam alguns critérios de infraestrutura a serem melhorados”, disse o pesquisador.

Apoio da FAPEAM

De acordo com o pesquisador, o estudo contribuiu ajudando a sociedade a entender a diversidade cultural que o Estado possui, mas que ainda não foi mensurada. Para Amaral, a experiência das pesquisas sobre os indivíduos da Comunidade Agrícola Nova Esperança, trouxe resultados esperados que certamente vão ajudar nas próximas pesquisas. Ele próprio define como uma experiência promissora. “Em relação à sociedade em geral, acredito que seja uma ótima oportunidade para perceberem que o Estado é rico em cultura e que ainda falta explorar. Contudo, foi uma experiência extremamente importante e que contribuiu sobremaneira com minha formação profissional e a FAPEAM, através da sua política de concessão de bolsas de estudos para a pós-graduação, foi de extrema importância, pois estimulou a realização de pesquisas mais aprofundadas e voltadas para a maior compreensão das peculiaridades do nosso Estado e da nossa região. Tenho certeza que esta pesquisa será muito importante para o meu ingresso no doutorado, futuramente”, afirmou Amaral.
Sobre o Posgrad
Esse programa consiste em apoiar, com bolsas de mestrado e doutorado e auxílio financeiro, as instituições localizadas no Estado do Amazonas que desenvolvem programas de pós-graduação stricto sensu credenciados pela Capes.
Redação: Rafaela Vieira
Edição:  Jesua Maia - Agência FAPEAM

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Perda de florestas acelerou no mundo, diz ONU


Área desmatada no Xingu em 2005 (Foto: AFP)
Área desmatada no Xingu em 2005; conversão de floresta para agricultura é maior na América do Sul

Novos dados de satélite publicados pela ONU indicam que a perda de áreas florestais acelerou no mundo, passando de uma perda líquida de 4,1 milhões de hectares anuais na década de 1990 para 6,4 milhões de hectares anuais entre 2000 e 2005.
O braço da organização para alimentação e agricultura, FAO, utilizou dados de satélite para avaliar o desmatamento entre 1990 e 2005.
Segundo as novas estimativas, a taxa bruta de desmatamento, ou seja, a conversão de áreas florestais principalmente para uso agrícola, foi em média de 14,5 milhões de hectares nos 15 anos analisados.
A América do Sul liderou a conversão de florestas em áreas agrícolas, seguida pela África.
Entretanto, a ampliação da superfície florestal, seja por expansão natural da floresta ou por programas de reflorestamento, foi maior do que se pensava.
No total, a perda líquida em 15 anos foi de 72,9 milhões de hectares – 32% menos do que a estimativa com a qual a FAO trabalhava, de 107 milhões de hectares.
Os dados colhidos por satélite indicam que em 2005 o mundo possuía 3,69 bilhões de hectares em florestas – cerca de 31% da superfície terrestre do planeta.

Dados precisos

A diferença nos dados colhidos para o relatório deste ano em relação às estimativas passadas se deve à mudança na metodologia de captação: no ano passado, foram compilados dados fornecidos pelos países a partir de uma variedade de fontes.
As variações de um ano para outro ocorreram principalmente nas informações sobre a África, onde muitos governos ainda utilizam dados antigos e desatualizados sobre o desmatamento.
Segundo o porta-voz para assuntos florestais da FAO, Adam Gerrand, a perda de florestas no continente africano foi menor do que se pensava.
A única região do planeta a registrar um aumento líquido de áreas de floresta foi a Ásia, graças a programas de reflorestamento na China e nos países vizinhos.
Para o diretor-geral-assistente para Florestas da organização, Eduardo Rioja-Briales, os dados colhidos com ajuda de satélite oferecem aos países “informação mais acurada em todos os níveis” e evidenciam “a necessidade de parar urgentemente a perda de ecossistemas valiosos”.
da BBC BRASIL

Agricultura "inteligente" a nível energético para evitar a dependência dos combustíveis fósseis

Photo: ©FAO/Alberto Conti
A Malinese woman uses a low-cost, fuelwood-efficient mud stove to prepare a family meal.


"O desafio é dissociar os alimentos da oscilação e das altas dos preços dos combustíveis fósseis", afirmou FAO

O sistema global de alimentos deve diminuir a sua dependência dos combustíveis fósseis, a fim de alimentar a crescente população mundial, informou nesta terça-feira a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) em um relatório divulgado durante a conferência sobre mudança climática em Durban, na África do Sul. O setor de alimentos responde por aproximadamente 30% do consumo global de energia e produz mais de 20% das emissões de gases do efeito estufa no mundo, de acordo com o documento.

"Há uma preocupação justificável de que a atual dependência do setor de alimentos dos combustíveis fósseis pode restringir a sua capacidade para suprir as demandas globais...o desafio é dissociar os alimentos da oscilação e das altas dos preços dos combustíveis fósseis", revelou a FAO. A volatilidade dos combustíveis fósseis significa que os sistemas agroalimentares devem mudar para um modelo energético inteligente, segundo o relatório.

"O setor global de alimentos precisa aprender como usar a energia de maneira mais sensata. Em cada estágio da cadeia de abastecimento, as atuais práticas podem ser adaptadas para consumirem menos energia", afirmou o diretor-geral-adjunto da FAO para Meio Ambiente e Recursos Naturais, Alexander Mueller. A energia pode ser usada de modo mais eficiente a baixo ou nenhum custo para as práticas agrícolas existentes, disse Mueller.

Tais medidas incluem a utilização de máquinas eficientes no que se refere ao consumo de combustível, a aplicação de adubos compostos e fertilizantes de precisão, a adoção de práticas de plantio direto e o cultivo de variedades menos dependentes de insumos, de acordo com a organização. Após a fase de colheita, a melhora da infraestrutura, do isolamento das instalações de estocagem, bem como a redução de embalagens e do desperdício de alimentos também podem reduzir o uso de energia no setor, informou a FAO. 

As informações são da Dow Jones.

Veja o informe completo - Alimentos inteligentes a nível energético para gente e clima (Energy-Smart Food for People and Climate )
http://www.fao.org/docrep/014/i2454e/i2454e00.pdf



quarta-feira, 30 de novembro de 2011

El Hombre que Plantaba Árboles



Uma história bonita e edificante que nos diz o quanto podemos fazer pelos outrospelo planeta e por nós mesmos.










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