Bertha Becker propõe ao novo INCT Biodiversidade e Usos da Terra na Amazônia uma visão estratégia para pensar a região
Agência Museu Goeldi
Mudar o padrão de desenvolvimento da Amazônia no sentido de distribuir a riqueza e não destruir o meio ambiente, considerando a questão da territorialidade e a escala das ações. Esse é o desafio proposto, à comunidade científica e aos demais atores sociais da região, pela Dra Bertha Becker, do Laboratório de Gestão do Território da Universidade Federal do Rio de Janeiro, durante a conferência inaugural do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia (INCT), ocorrida no último dia 12, no Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), em Belém.
O evento foi aberto pela diretora do Museu Goeldi e coordenadora do INCT, Ima Vieira, que após tecer breves comentários sobre os objetivos gerais do novo projeto em rede, fez a leitura da carta do Dr. Marco Antonio Zago, presidente do CNPq, que saudou o lançamento do INCT, defendendo a necessidade de um novo grau de organização para avançar o conhecimento sobre a Amazônia.
ZSEE de Mato Grosso – Proposta prevê exclusão de áreas indígenas não homologadas para dar lugar à expansão do agronegócio
O controvertido processo de desconfiguração do Zoneamento Socioeconômico Ecológico de Mato Grosso, transformado num Zoneamento ruralista que desconheceu 20 anos de estudos técnicos e um amplo processo de debate da sociedade mato-grossense, atingiu nas últimas semanas uma gravidade maior. Formatado de maneira unilateral para dar suporte aos interesses do agronegócio, eliminou pontos básicos como a manutenção de áreas de elevado potencial florestal, a proteção dos recursos hídricos (especialmente, na região das nascentes do Xingu e do Alto Paraguai), a possibilidade de criação de unidades de conservação, o planejamento de áreas de promoção da agricultura familiar e, de modo geral, os direitos das populações indígenas, extrativistas e quilombolas.